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Gigantes tecnológicos criam coligação com a ONU para a igualdade de género

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A ONU Mulheres (entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Género e o Empoderamento das Mulheres) lança esta quinta-feira, 14 de setembro, em Nova Iorque, uma parceria com gigantes do ramo tecnológico.

A Global Innovation Coalition for Change (Coligação Global de Inovação para a Mudança, em português; GICC, na sigla em inglês) reúne 22 parceiros, entre empresas do setor privado, organizações sem fins lucrativos e instituições académicas. O objetivo é, ao longo de dois anos, trabalhar para que a indústria tome medidas abrangentes que tornem a inovação e tecnologia também acessíveis às jovens mulheres e adolescentes, refere o comunicado da ONU Mulheres.

Esta coligação conta com o apoio de líderes de algumas das maiores multinacionais, como a CISCO, Citi, Dell, Ericsson, Facebook, General Electric, HP Inc., Johnson & Johnson, JPMorgan Chase, LinkedIn, PwC, Sony, e Statoil, entre outras, que se comprometem a avançar com a agenda da igualdade de género. Fora do setor empresarial, destacam-se instituições académicas como o MIT Solve e a Academia das Ciências de Nova Iorque e a organização Smart Girls, da atriz e comediante Amy Phoehler.


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“Esta parceria global vai construir uma consciência no mercado sobre o potencial de [criar] inovações que vão ao encontro das necessidades de mulheres”, sublinha o comunicado da ONU Mulheres, que acrescenta que é também objetivo desta coligação identificar “as principais barreiras da indústria à progressão das mulheres na inovação, tecnologia e empreendedorismo”.

Pretende-se que a partir daí sejam definidas ações chave para abordar aquelas barreiras e necessidades, que passem pela “partilha de boas práticas, desenvolvimento de capacidades e investimento em inovações específicas através de medidas de apoio”.

“Através da Coligação Global de Inovação para a Mudança e iniciativas semelhantes podemos congregar o melhor da inteligência e investigação académicas, com a prática e o know how da indústria e a mobilização da sociedade civil para criativamente alterar o status quo”, defende Phumzile Mlambo-Ngcuka, diretora executiva da ONU Mulheres.

Igualdade de género = 70 mil milhões de dólares em oportunidades de mercado

A responsável salienta também que a abrir a inovação e tecnologia, tanto às necessidades das mulheres como à representação feminina no setor, serve os interesses de todos, trazendo retorno financeiro para as empresas que apostarem em alargar o género do seu público-alvo.

“A inovação e a tecnologia fornecem oportunidades sem precedentes para alcançar aqueles que é mais provável serem deixados de fora dos benefícios do progresso. Podem tirar as mulheres do isolamento e criar um mercado para as suas ideias inovadoras e para os seus produtos. Isto é um ativo importante para a igualdade de género e empoderamento feminino”, afirma Phumzile Mlambo-Ngcuka.

A ONU Mulheres dá como exemplo os dados da GSMA, organização global representante das operadoras móveis, que estima que uma maior abertura às mulheres pode render, até 2020, 70 mil milhões de dólares em oportunidades de mercado para setor das operadoras móveis.

Por outro lado, a redução do fosso entre os dois géneros no que se refere à posse e utilização de aparelhos, aparentemente simples, como os telemóveis possibilitam às mulheres um maior acesso à educação, saúde e serviços financeiros.

O lançamento da coligação decorre à margem da assembleia-geral da ONU e conta com a presença de vários líderes das empresas parceiras, bem como de líderes mundiais representados nas Nações Unidas.

Ana Tomás

Imagem da destaque: Shutterstock