Gosta muito de comer? Afinal, não é a “gula” que explica a obesidade

A “fome hedónica” – como é chamada a vontade de comer por prazer – “não conta a história toda”, defendem os investigadores

Ao contrário do que muitos especialistas têm defendido, o “vício” da comida não explica a obesidade. Esta é pelo menos a conclusão de um novo estudo realizado por cientistas do Centro Champalimaud (CC), em colaboração com outros centros portugueses, que refere que o prazer que se retira do ato de comer não é o fator de risco no aumento de peso.

“A questão de base já faz parte da psicologia popular: ouve-se frequentemente dizer que a obesidade ‘é como uma dependência'”, diz Albino Oliveira-Maia, psiquiatra e neurocientista do CC que liderou o estudo, cujos resultados estão publicados online na revista Scientific Reports, do grupo da revista Nature. “Não há provas claras de que a fome hedónica [vontade de comer por prazer] esteja relacionada com o peso”, diz o cientista.

“O prazer de ingerir alimentos é um comportamento natural e saudável que, na obesidade, adquire contornos particulares”, acrescenta Gabriela Ribeiro, nutricionista clínica e primeira autora do artigo, em conjunto com a psicóloga Marta Camacho. “O prazer alimentar contribui para esse excesso [de peso], mas o que mostrámos é que isso não explica a maioria dos casos de obesidade”, diz a nutricionista.

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