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Hillary Clinton aceita nomeação para ser a candidata presidencial democrata

Hillary Clinton aceitou a nomeação como candidata presidencial pelo Partido Democrata e ao fazê-lo tornou-se, oficialmente na primeira mulher a ser nomeada por um dos dois grandes partidos para concorrer à Casa Branca.

“É com humildade, determinação e uma confiança sem limites na promessa da América que aceito a vossa nomeação para a Presidência dos Estados Unidos”, disse a secretária de Estado de 68 anos, no discurso que encerrou a Convenção Nacional do Partido Democrata, em Filadélfia.

Começando por se dirigir à família e ao marido, o ex-Presidente Bill Clinton, Hillary passou aos agradecimentos políticos, referindo o atual presidente Barack Obama e sem esquecer o seu adversário nas eleições primárias dos democratas, Bernie Sanders, aproveitando para deixar garantias aos apoiantes do senador do Vermont.

“Bernie, a sua campanha inspirou milhões de americanos, particularmente os jovens que se lançaram de alma e coração nas nossas primárias. Pôs a economia e justiça social à frente e no centro [do debate], onde é o seu lugar”, disse a antiga primeira-dama, garantindo que ouviu o seu apelo e que o inclui nas sua intenções políticas. “A vossa causa é a nossa causa”, assegurou aos anteriores adversários internos.

Falando da importância simbólica da convenção se ter realizado em Filadélfia, onde há 240 anos foi assinada a declaração de independência do país, Hillary Clinton dividiu o seu discurso entre as promessas políticas e os ataques ao seu rival republicano, Donald Trump, com quem irá disputar as eleições de 08 de novembro, e a quem acusou de querer dividir os americanos.

“O lema do nosso país é e pluribus unum: de todos, um. Vamos manter-nos fiéis a esse lema?”, questionou, para logo de seguida lembrar as palavras do candidato republicano na convenção do seu partido. “Ouvimos a resposta de Donald Trump na semana passada, na convenção do seu partido. Ele quer separar-nos – do resto do mundo e de uns dos outros. Ele aposta nos perigos do mundo atual para nos cegar às suas promessas sem limites. Quer que tenhamos medo do futuro e medo dos outros”, atirou.

Marcando uma distância profunda no discurso divisionista do adversário republicano, Clinton assegurou que será Presidente de todos os norte-americanos, independentemente do seu sentido de voto, e reforçou a defesa de uma política que não hostilize os imigrantes nem promova a intolerância religiosa.

“Não vamos construir um muro. Em vez disso, construiremos uma economia onde todos os que querem ter um trabalho bem pago possam tê-lo e construiremos um caminho para atribuir a cidadania a milhões de imigrantes que já contribuem para a nossa economia. Não vamos banir nenhuma religião. Trabalharemos com todos os americanos e com os nossos aliados para combater o terrorismo”, disse a candidata democrata.

No seu discurso, a secretária de Estado lembrou o seu percurso e experiências políticas e aludiu ao facto histórico de poder vir a ser a primeira mulher a ocupar o cargo de Presidente dos Estados Unidos da América, considerando essa possibilidade, não só um marco para as mulheres mas um ponto de viragem que pode abrir portas para qualquer pessoa.

“Esta noite, alcançámos um patamar histórico no percurso do nossa nação rumo a uma união mais perfeita: pela primeira vez um grande partido nomeou uma mulher para Presidente”, afirmou, confessando estar “muito feliz por este dia ter chegado”, pelas várias gerações de mulheres, das avós às que ainda crianças, mas “também pelos rapazes e pelos homens”. “Quando, na América, cai uma barreira para alguém isso abre o caminho para toda a gente. Quando não há tetos, o céu é o limite”.

Para Hillary Clinton, mais importante que a história feita nesta última noite da Convenção Nacional Democrata é aquela que se fará a seguir e que permita que a eleição de um mulher para presidente na maior economia do mundo seja apenas um primeiro passo para que, como referiu no discurso, “cada uma das 161 milhões mulheres e raparigas, de toda a América, tenha as oportunidades que merece”.

Propostas políticas

Além de sublinhar o tema da igualdade de oportunidade entre os géneros, a candidata democrata falou também das questões económicas, da lei de venda de armas nos Estados Unidos e de política externa e terrorismo. Estas foram algumas ideias que deixou no seu discurso:

Economia: Na parte em que se referiu à situação económica do país, Hillary Clinton afirmou que é o Partido Democrata aquele que defende os trabalhadores, mas reconheceu que estes têm motivos para estar descontentes com a sua atuação. “Não fizemos um trabalho suficientemente bom mostrando que sabemos aquilo por que estão a passar e que vamos fazer algo para ultrapassar isso”, afirmou, prometendo que vai melhorar a vida dos americanos. “A minha primeira missão como Presidente será criar mais e melhores oportunidades de trabalho com melhores salários.” A secretária de Estado, que foi criticada tanto por Donald Trump como por Bernie Sanders pela suas ligações ao sistema financeiro, referiu-se brevemente aos responsáveis pela crise de 2008, avisando Wall Street que isso não se deverá repetir e deixando um apelo à consciência moral dos que usufruem de vantagens fiscais para que retribuam à sociedade esses benefícios. Hillary Clinton manifestou ainda vontade de alargar o âmbito da Segurança Social.

Armas e racismo: “Vamos reformar o nosso sistema judicial e criminal de ponta a ponta, e reconstruir a confiança entre as forças da lei e as comunidades que estas servem”. Foi uma das frases mais assertivas da noite, proferidas por Hillary Clinton, e refere-se à tensão racial entre as comunidades negras e a polícia, vivida em várias zonas do país. A secretária de Estado aproveitou para ligar o tema a outro igualmente fraturante: a lei que regula a venda e posse de armas. “Não estou aqui para vos tirar as vossas armas. Só não quero que sejam atingidos por alguém que não devia ter uma arma sequer”, começou por dizer, apelando àqueles que as comercializam que não boicotem reformas básicas que impossibilitem a sua venda a qualquer um, seja criminoso ou terrorista. “Temos de curar as divisões no nosso país. Não apenas sobre as armas, mas sobre a raça, a imigração e outras”, defendeu, pedindo aos americanos que se revejam uns nos outros. “Vamo-nos pôr no lugar de jovens homens e mulheres negros e latinos que enfrentam os efeitos de um racismo sistémico e acham que as suas vidas são dispensáveis. Vamos pôr-nos no lugar dos agentes da polícia, que se despendem das suas famílias todos os dias antes de irem para um trabalho tão necessário quanto perigoso”, exortou.

Política externa e combate ao terrorismo: Em matéria de política externa e combate ao terrorismo, Hillary reafirmou que estará ao lado dos seus aliados e que o país continua determinado em derrotar aqueles que se apresentam como inimigos. “Tenho orgulho em apoiar os nossos aliados da NATO contra qualquer ameaça que enfrentem, incluindo da Rússia”, afirmou, ao mesmo tempo que assegurou que irá manter a estratégia de combate ao Estados Islâmico, com “ataques aéreos aos seus santuários” e com “o apoio a forças locais no terreno”. “Não será fácil, nem rápido”, avisa, garantindo, por outro lado, que será a estratégia mais eficaz. Hillary aproveitou o momento para avisar do risco que o voto no candidato republicano pode ter na política externa e militar do país. “Perguntem-se, Donald Trump tem o temperamento [adequado] para ser Chefe das Forças Armadas? Donal Trump não consegue sequer lidar com as discussões de uma campanha presidencial”, sublinhou.

A imagem externa da América entra sempre na equação de qualquer campanha presidencial e Hillary Clinton terminou o seu discurso lembrando isso mesmo, ao dizer: “Sim, o mundo está a ver o que estamos a fazer.” Mas a decisão sobre o futuro da América caberá única e exclusivamente aos americanos, que a 8 de novembro decidirão ser querem uma mulher na Presidência ou o candidato que veio de fora do sistema.

 

Imagem de destaque: REUTERS/Scott Audette

 

Ana Tomás