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Ilan Brenman: “A ficção na vida de uma criança prepara-a para a vida”

Estamos no Parque das Nações, à beira-rio, e Ilan Brenman acaba de chegar de S. Paulo, onde vive atualmente, depois de uma breve passagem por Madrid. Apesar de cansado depois do seu longo voo, Ilan Brenman não perde o sorriso e a boa disposição.

Nascido em Israel, em 1973, o autor viveu desde os 6 anos – praticamente toda a sua vida – no Brasil. Psicólogo de formação, Ilan Brenman considera-se fruto de uma espécie de “Nações Unidas” familiar: pais argentinos, avós russos e polacos, numa autêntica mescla de nacionalidades. Terminou a graduação como psicólogo em S. Paulo, mas já não exerce esta profissão. Fez mestrado e doutoramento na Universidade Pública de S. Paulo na área da Educação, com especialização em Literatura, sobretudo a infantil. Pai de duas filhas de 10 e 13 anos, é hoje um autor e contador de histórias de sucesso, com livros publicados em todo o mundo.

Como foi a sua infância?

A minha infância foi muito rica interiormente. Conseguia brincar sozinho, o que hoje é muito difícil – aliás, acabei de publicar um livro em Espanha que fala precisamente sobre isso, da dificuldade que as crianças têm em brincarem sem gadgets, construindo os seus próprios mundos. Eu sempre consegui fazê-lo, e isso preparou-me para ser escritor. No entanto, quando era pequeno não queria ser escritor, queria ser o que as crianças querem ser normalmente: bombeiro, jogador de futebol, o Homem Aranha… Descobri a literatura só muito mais tarde.

Como é que surgiu então a ideia de ser autor e contador de histórias?

Quando estava a tirar Psicologia, aos 18 anos, fui trabalhar numa escola como estagiário. E estagiário sofre… [risos]. Nesse dia, o primeiro de trabalho, a professora disse-me: “Ilan, ficas no recreio com as crianças e eu vou tomar um café.” E eu respondi, “O quê, mas sozinho?!” “Sim, sozinho, não precisas de fazer nada, é só tomar conta.” Elas tinham 3, 4 anos, eu fiquei apavorado. E disse, “Ok, não é preciso falar com elas, pois não?” E ela respondeu, “Não, não, é só mesmo olhar.” E eu comecei a rezar, “Por favor, Deus, que elas não se aproximem, que elas não se aproximem…” E o que é que aconteceu? Elas aproximaram-se. [risos] Três. Olharam para mim e disseram, “Ilan, contas-nos uma história?” Eu respondi, “Olha, eu não sei contar histórias…” E elas olharam para mim com espanto, tipo, “se não sabes contar histórias, o que fazes aqui?” E é verdade, trabalhar com crianças e não saber contar histórias é completamente incompatível. E então uma delas, uma menina, que hoje deve estar casada e com filhos, disse algo que mudou a minha vida. “Ilan, se não sabes, inventa.” E então eu disse, “Ok, acho que isso eu consigo. Podem sentar.” Então eles sentaram-se e eu comecei a inventar uma história, foi muito fácil, foi uma descoberta. Foi saindo, saindo, e quando eu pestanejei e voltei a abrir os olhos, 5 minutos depois, as 3 crianças já eram 6. Foi o milagre da multiplicação. Percebi que, à medida que ia contando, as crianças iam se aproximando, tipo a história do “Flautista de Hamelin”. Terminei aquele momento com 20 crianças a olhar para mim, boquiabertas, e fiz as perguntas certas. “O que são as histórias?” “Por que gostei de as contar?” “Por que elas gostaram de ouvir?” “Onde posso encontrar mais histórias?” Será que eu sou capaz de escrever histórias?” E foi assim que se deu, aos 18 anos, a minha entrada no mundo da literatura.

Em menino fazia muitas perguntas?

Sim! E eu mesmo inventava as minhas respostas. Fantasiava muito. Tinha esse mundo interior muito grande. Procurava as respostas para as minhas perguntas, e a busca é a própria vida. A ficção é o excesso ou a falta de respostas. Eu estou mais na categoria das faltas. Tenho um livro que ainda não saiu em Portugal, que se chama “Pai, quem inventou?”. A minha filha ‘caçula’ começou a fazer-me perguntas, e muitas eu não sabia responder, por isso comecei a inventar, e disso saiu um livro. “Pai, quem inventou o papel?” Eu sabia que foram os chineses, óbvio, mas depois ela perguntou “Pai, quem inventou o rock?” E eu disse, “Ah, deve ter sido um homem que queria mexer o esqueleto e dançar”, e então criei um livro que mistura ficção e realidade. As perguntas são a coisa mais essencial da Terra, as pessoas que têm muitas certezas são insuportáveis. Eu passei por essa fase quando era jovem, achava que sabia tudo, e hoje eu vejo que era insuportável. Aquele que sabe tudo não avança. Quando Portugal olhou para o mar e disse “Não sei o que tem lá, no além-mar”, o mundo abriu-se para Portugal. Imagina se tivessem dito “Tenho certeza, não há la nada!”, estavam até hoje aqui, ‘né?… Imagina o Cabral e o Colombo aqui na Europa, “Não, obrigado, já sabemos que não há lá nada”… A angústia, a incerteza, moveu o mundo. O que há além do mundo, o que há além do nosso país, do nosso vizinho?… Outras comidas, outras culturas…? A minha literatura move-se muito nesse movimento das incertezas.

Há pouco disse que quando os meninos lhe pediram que contasse uma história, respondeu-lhes que não sabia, mas em pequeno gostava de ler?

Sempre tive uma relação bem próxima às histórias. Os meus pais eram leitores assíduos. O meu pai, além de ler livros, lia muitos jornais. Acho que é por isso que desde os 13 anos adoro ler jornais. No meu condomínio vejo todos a ler no tablet, e eu o único que ainda lê jornal… [risos] Tanto o meu pai como a minha mãe liam muito, e eu sempre pensava, “Se a minha mãe fica lendo aquele objeto e não me dá atenção… é porque aquilo deve ser muito bom”. E essa foi uma relação que fui construindo, e hoje entendo-a perfeitamente. Há muitos anos que eu e a minha mãe temos uma brincadeira entre nós: sempre que eu a visito, na saída ela revista-me, como se fosse a polícia, porque “roubamos” livros um ao outro. E ela diz sempre, “Ah, ok, este podes levar…” E quando ela me visita eu faço a mesma brincadeira. [risos]

Ou seja, os seus pais incentivaram em si o gosto pela leitura através do exemplo.

Exatamente. Nunca forçaram. Acho que a ideia que hoje os pais já têm de que é importante estimular o gosto dos filhos pela leitura é algo mais moderno, na geração deles as pessoas não tinham muito essa preocupação. E é uma boa dica para os pais: não adianta dizer aos filhos “Ah, a leitura é tão importante!”, se eles próprios não forem leitores. Se, como adultos, não têm na mão um jornal, um livro, uma revista, para reforçar a ideia, não adianta. As crianças não são ‘bobas’, são muito inteligentes. Os pais têm que ser o modelo.

Já me explicou que foi naquele dia no recreio da escola que percebeu que tinha jeito para inventar e contar histórias, mas como é que a partir daí decide levar esta ideia a sério e escrever livros?

Bem, eu era um jovem de 18 anos, a tirar a formação em Psicologia, que entretanto terminei, mas desde esse dia do “inventa” comecei a criar as minhas histórias, e aconteceu uma coisa muito curiosa: comecei a viajar para contar essas histórias. Então lia muito para poder contar as histórias de outros, e as minhas próprias também, que eu anotava em cadernos, e quando eu terminava as pessoas abordavam-me e diziam, “Ilan, quando voltas?” E eu respondia “Não sei, agora tenho mesmo de ir embora para casa…” E havia quem me pedisse para ir a sua casa, à noite, para contar histórias! E eu dizia, “Não posso, tenho um compromisso…” [risos] E nesse momento pensei: as pessoas querem as minhas histórias, e se eu fizer um livro, as pessoas vão poder dormir comigo, à noite! [risos] Eu vou embora, mas o meu livro fica. Então comecei a preparar livros. E outra coisa que me ajudou a começar a trabalhar em livros foi pensar “E se eu ficar mudo?” Coisa de neurótico, mesmo… [risos] O meu primeiro livro foi publicado há 20 anos, em 1997, e desde esse momento comecei a perceber que os livros começavam a espalhar-se… no início, pelo Brasil, no nordeste, depois pelo sul. E quando terminei o curso de psicologia e trabalhei dois anos como psicólogo, tive de optar: ou quero ser escritor, ou quero ser psicólogo… e pensei: vou fazer o mestrado e o doutoramento na área da Literatura. E foi assim que em 2004 tomei essa decisão, parei de ser narrador e de contar histórias, larguei muitos trabalhos que fazia em ONGs, trabalhos sociais em hospitais, com crianças com cancro, com creches, delinquentes juvenis, e dediquei-me a 100 por cento aos livros. Desde essa altura até hoje já publiquei cerca de 74 livros no Brasil, e na Europa e na Ásia já conto 18 livros publicados.

E de onde surge a inspiração para tantos livros?

Bem, são três caminhos de trabalho: o primeiro caminho é o reconto. Tenho muitos livros publicados que são contos tradicionais. Histórias que eu vou buscar aos vários cantos do mundo e reconto, é um trabalho de investigação. Há um que eu adoro, um conto árabe que se chama “A Sabedoria do Califa”, muito engraçado, mas tenho contos gregos, contos judaicos, chineses, turcos… Inclusive encontrei há pouco tempo contos africanos onde há uma história sobre uma Cinderela africana, 2 mil anos antes de surgir o conto dos irmãos Grimm! Esta é uma parte da minha obra, não a maior, mas uma que eu gosto muito. Depois há uma parte que nasce na criação pura, de ideias clássicas. Estamos aqui em frente ao rio, de repente aparece uma aranha, e daí nasce uma história… Anoto a ideia, e vou desenvolver. Pode dar uma história ou pode ir para o lixo. Mas o que mais me tornou conhecido foram as narrativas do quotidiano. São os livros que foram publicados em Portugal pela Booksmile, as histórias vinculadas à minha família. Eu chamo “o meu mundo das formigas”, porque me interessam mais as formigas do que os elefantes. O grande não me interessa – quanto mais particular, mais singelo e mais pequeno, mais universal é. Quando as minhas filhas nasceram, a minha literatura mudou completamente. Tive o privilégio de passar muito tempo com elas na primeira infância, de as levar à creche, de lhes vestir a roupa ao contrário e do avesso [risos], e todas as coisas que vivi com elas eu fui transformando em literatura. O meu livro de maior sucesso, o das princesas que dão puns, mudou a minha vida e é um exemplo clássico disto. Nasceu de um facto real, de um pum verdadeiro. [risos] Estava a falar com a minha esposa, e a minha filha, vestida com um disfarce de Branca de Neve, linda, na altura com 3 anos, ali ao lado. E de repente vem um vento quente… [risos] A minha esposa olha para mim e pergunta “Ilan, foste tu?” E eu disse “Olha, se tivesse sido eu, eu admitia…” E olhei para ela e disse “Foste tu!”, e quase levei uma chinelada… [risos] Bem, se não foste tu nem eu, quem foi o culpado dessa bomba nuclear? E lá estava a minha filha de 3 anos, com uma cara culpada, confirmou que tinha sido ela, e nós começámos a rir. “Como pode ser tão bonita e delicada, e tão tsunami?”… Nós rimos, e ela chorou! Então a mãe pegou-a ao colo, e disse-lhe “Filha, não chores… até as princesas dão puns!” E eu ouvi aquela frase e disse “repete!” Foi como uma pedra num lago, a partir daí escrevi uma sinopse, um resumo e desenvolvi a história durante semanas. E são estas as histórias que mais fazem sucesso. Outra história, “Como é que ele foi parar aí dentro?”, também nasceu de uma pergunta real. Tivemos uma visita de uma amiga nossa, a Olga, grávida de 8 meses, e a minha filha pequena olhou para a barriga dela e perguntou, “Tia Olga, como ele foi parar aí dentro?” A minha amiga olhou para mim, sem saber o que dizer, e eu disse “Ela perguntou a ti, diz qualquer coisa”! [risos] E nesse momento a história surgiu de imediato na minha cabeça. Tenho muitos e muitos contos que têm a ver com esse tipo de episódios. Há outro ainda não publicado em Portugal que se chama “Cicatriz”, que surgiu de um momento em que a minha filha caiu e ficou cheia de medo de ficar com uma cicatriz. Então disse-lhe que todos nós temos cicatrizes e que elas contam uma história. Estou muito atento a esta dinâmica infantil, às coisas pequenas, e quanto mais acontecem na minha casa, mais o resto do mundo se identifica. A literatura tem também esta função, de mostrar como as pessoas são parecidas: todas têm medo, todas têm sonhos, desejos, frustrações…

Então foram esses livros os que mais gostou de escrever.

Sim, aqueles que são inspirados em factos reais. As minhas filhas estão maiores agora, tenho uma com 13 anos, que já tem outros interesses, por isso os próximos livros já serão diferentes… Mas eu estou atento, estou a observá-las! [risos]

Quais são as questões existenciais que acha que causam mais confusão ou preocupam mais as crianças?

A criança tem questões existenciais muito interessantes. Primeiro, acho que elas têm um amadurecer muito sofrido. Nós achamos que não é, mas é – a dádiva do esquecimento é essa. Imagina se nos lembrássemos do nosso nascimento? Morríamos agora de trauma! Saramago disse uma vez que as crianças não crescem só debaixo do sol, também crescem na sombra. A sombra também as faz crescer. Elas passam por momentos de solidão, têm questões com a morte, com a própria existência… A minha filha mais nova há uns tempos perguntou-me “Pai, o que é Deus?” E eu respondi, “O que achas que é?” E ela disse “Acho que Deus é tudo. Deus é a água, é o ar, o arroz com feijão…” E eu respondi, “Também acredito nisso”. Essa é a visão de um filósofo chamado Baruch Espinosa (aliás, de origem portuguesa), e a visão que ele tinha era essa, que Deus era tudo – a formiga, a natureza, a árvore, os bichos, as estrelas… E a minha filha, tão pequena, sem nunca ter lido uma linha desse filósofo, desenvolveu a mesma teoria na cabeça dela. As crianças pensam sobre tudo, sobre a finitude, o infinito, a morte… E a literatura tem de dar resposta a estas questões, não ser só baseada nas coisas bonitinhas, mas também abranger o que é menos bom.

Que feedback costuma ter dos pais relativamente aos seus livros? Já algum pai ou criança lhe disse “Este livro ajudou-me”?

Sim! Olha, eu não faço livros para ajudar ninguém, por isso é que acho que ajudo… [risos] Faço os meus livros porque tenho duas filhas lindas, filósofas, porque tive uma vida interior muito rica… E acho arrogante haver autores que acham que vão salvar o mundo. Eu quero fazer bem feito, com amor, com paixão, fazer livros bonitos, com ilustrações bonitas, e se eu conseguir fazer isso, as crianças vão identificar-se. No ano passado a minha filha levou uma amiga a casa e ela disse “Ah, você escreveu esse livro?” E eu disse “Sim, fui eu”, e a minha filha morrendo de vergonha… E ela disse que o livro marcou a vida dela, que tinha aprendido a ler com esse livro. Um dia também fui abordado por uma mãe que me contou que o filho tinha perdido um pedaço do dedo e não queria ir à escola, e que o meu livro “Cicatriz” o tinha ajudado muito, que ela tinha lido a história mil vezes e que só assim ele aceitou ir para a escola, e até já queria contar aos colegas a história de como ele tinha ganho aquela cicatriz… E eu fiquei tão feliz. Outra mãe disse-me que o livro das princesas que dão puns tinha ajudado a filha a libertar-se de duas coisas: uma, da prisão de ventre [risos] – e foi mesmo isso que ela disse! E outra, da imagem que ela tinha de perfeição de princesa e de menina. E eu agradeci à mãe, e disse: “Só porque eu não tive essa intenção de ajudar, é que funcionou dessa forma…” A partir do momento em que eu escrevo o livro ele já não me pertence, os leitores fazem dele o uso que quiserem, e por vezes tem para eles um significado que eu não compreendo, mas é essa a função da literatura.

Que tipo de adulto será uma criança que tenha tido muito contacto com histórias e fantasia?

As vantagens já estão mais que estudadas e provadas, isso já ultrapassa a mera intuição. Há uma pesquisa recente na Inglaterra e nos Estados Unidos onde inventaram um aparelho que registava o número de palavras que as os pais diziam aos filhos. Nos Estados Unidos essa pesquisa abrangeu famílias de classe média, média-alta, e famílias pobres. E perceberam que as famílias pobres falavam muito menos palavras do que as restantes, até uma diferença de 30 milhões de palavras. As crianças que ouviam mais palavras foram acompanhadas durante algum tempo e percebeu-se que essas crianças tinham melhores notas na escola, a parte afetiva, a escolha profissional, tudo era melhor. E perceberam também que esses 30 milhões de palavras a mais tinham muito a ver com as histórias contadas pelos pais. Portanto, quanto mais ficção, quanto mais histórias, mais eles preparavam os filhos para a vida. A ficção na vida de uma criança prepara-a para a vida, para o futuro, ajuda-a a compreender o mundo exterior e o mundo interior, como as brincadeiras que os mamíferos têm quando nascem, por exemplo, quando lutam com os irmãos, sem magoar. Uma vida sem histórias é uma vida empobrecida, devia ser proibido por lei, é um bem essencial como a comida, a roupa, as vacinas… É alimento espiritual.

Como podem os pais estimular na criança o gosto pela leitura?

Se os pais gostarem, é uma grande ajuda. Têm de ser modelos. Depois podem levar as crianças às livrarias, para estar em contacto com os livros, podem comprar e oferecer-lhes livros. Podem também parar a rotina do dia-a-dia para ler 5 ou 10 minutos de histórias, que é super importante. Eu costumo dizer aos pais, “Daqui a 10, 15, 20 ou 30 anos, o seu filho não se vai lembrar do 15º par de ténis que lhe comprou, não se vai lembrar do iPad nº 9 Y X, nem do telemóvel, mas ele vai lembrar-se da história que lhe contou, do seu cheiro, do ambiente, e vai emocionar-se com isso.” E se não houver dinheiro para comprar livros, vá para a biblioteca pública! Não é preciso comprar – se puder, ótimo, mas se não, basta ler o livro.

E planos para o futuro: mais livros, mais histórias?

Muitas mais histórias, muitos mais livros! Estou muito contente por ter estes três livros publicados em Portugal com a Booksmile, este encontro com a editora foi tão casual, mas deixou-me muito feliz. Quero ampliar essa presença em Portugal, e espero que muitos mais livros sejam publicados por cá. O meu futuro são as histórias, acho que é isso.

Carmen Saraiva