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Infeções urinárias: como fugir delas, sobretudo no verão

Infeção urinária: como fugir delas, sobretudo no verão

Estima-se que 40% das mulheres em alguma altura da sua vida desenvolvam infeções urinárias. São causadas por bactérias que se encontram ao nível do reto, ânus, vulva e vagina e que penetram ascendentemente, através da uretra, no aparelho urinário. “Na maioria dos casos provêm do conteúdo microbiológico intestinal”, explica Susana Coutinho, ginecologista-obstetra no Hospital da Luz Lisboa. Mas não entre em pânico: em condições normais a flora vaginal é resistente a estes agentes pela presença de lactobacilos autóctones, que têm ação bactericida.


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Frequentes nos dias mais quentes e durante as férias, devido à desidratação e higiene dificultada, causam desconforto, mas com alguns cuidados extra podem, na maioria dos casos, ser evitadas.

Quanto às sequelas também são pouco comuns e acontecem sobretudo nas infeções complicadas que atingem os rins. Essas poderão não só comprometer o funcionamento desse órgão como servir de ponto de partida para a disseminação das bactérias para outros, nomeadamente os pulmões, situação mais frequente em pessoas com imunidade reduzida.

Sintomas
As infeções podem ser agudas ou crónicas. A forma aguda é súbita, causa dor e dificuldade em urinar, micção frequente, sangue ou pus na urina e sensação de peso no abdómen baixo. Os sintomas variam consoante a gravidade da situação e podem incluir febre, arrepios, náuseas, vómitos ou dor lombar. Felizmente com a toma de um antibiótico prescrito pelo médico, após as devidas análises (a chamada urocultura) melhoram em poucas horas.

A má notícia é que estas infeções “tornam-se recorrentes em cerca de 20 a 30 % dos casos”, refere a médica, ocorrendo nesses casos pelo menos três vezes por ano. Aí, terão que ser feitos exames físicos e de imagem, “sendo que muitas vezes pedem-se tumografias computorizadas (TAC) e outros exames especiais com contraste para despiste de possíveis anomalias dos órgãos genitais e urinários”.

Se os episódios se tornarem crónicos, a especialista recomenda “a manutenção da flora vaginal através da reposição dos lactobacilos por ingestão ou aplicação local”. E, no caso de infeções por Eschericia coli (80% dos casos), sugere “a toma diária de extratos de arando, que aumenta a capacidade anti-adesiva dos tecidos do trato urinário à bactéria”. Por isso não esqueça: leve o suplemento alimentar na bagagem durante as férias, por precaução, se for atreita a este tipo de complicações.

Como prevenir
Dada a probabilidade de recidivas a prevenção é palavra de ordem. “A mulher nunca deve reter a urina na bexiga pois esta funciona como um “caldo” de cultura para as bactérias”, avança Susana Coutinho. “Ou seja: tem que ir à casa de banho sete a oito vezes por dia”. A hidratação é fundamental pelo que é recomendável ingerir pelo menos 1,5 litros de água.

Também convém vigiar a urina para se verificar se a quantidade de líquidos é suficiente – as necessidades variam de pessoa para pessoa, nível de atividade física e condições climatéricas. “Não deve ser concentrada nem ter odor forte”.

Por outro lado, há que evitar o contacto com o tampo das sanitas fora de casa e privilegiar a higiene genital exterior sempre que possível após evacuar e antes e depois das relações sexuais.

Alguns especialistas referem ainda que a alimentação tem um papel crucial: as pessoas cuja mucosa da bexiga é sensível devem evitar o consumo de café, citrinos, bebidas alcoólicas ou açucaradas e pratos muito condimentados.

O fator mulher
Ser mulher é um fator de risco. “Prende-se sobretudo com as características anatómicas do aparelho urinário feminino: a uretra é curta – tem apenas três centímetros (face à do homem que ronda os dez) – e a área vaginal fica próxima do ânus”, explica a ginecologista.

Durante a gravidez a pressão do útero sobre o aparelho urinário e a ação da progesterona que dificulta o esvaziamento da bexiga não ajudam e as infeções tornam-se frequentes. Posteriormente, na menopausa, também se verifica uma maior incidência devido ao menor nível de estrogénios e consequente diminuição da regeneração das mucosas vaginais e da uretra, barreiras naturais à invasão de bactérias. Seja como for, em todas as idades, e especialmente no verão a nossa melhor amiga tem um só nome: água!

Sara Raquel Silva