Israel: Trump manda filha Ivanka a uma das cerimónias mais polémicas

Ivanka Trump e Jared Kushner, a filha mais velha e o genro do Presidente dos Estados Unidos – que são também seus conselheiros –, participam esta segunda-feira, 14 de maio, na cerimónia de transferência da embaixada norte-americana de Telavive para Jerusalém.

Uma decisão que está muito longe de gerar o consenso a nível mundial e à qual o chefe de Estado norte-americano não comparece à sua consumação, fazendo-se representar pela filha e pelo marido desta. Ivanka e Kushner marcam presença ao lado de centenas dignitários dos Estados Unidos da América e de Israel, momento que decorre a partir das 16:00 (hora local, 14:00 horas em Lisboa).

O Presidente dos Estados Unidos já veio saudar esta segunda-feira a transferência e afirmou ser “um grande dia” para Israel. Donald Trump escreveu muito entusiasmado na sua conta no Twitter que os preparativos para o evento já tiveram o seu arranque e que este é “um grande dia para Israel”.

O líder norte-americano sublinhou ainda que o canal de televisão Fox, de que é um fiel telespetador, transmitirá a cerimónia em direto. Donald Trump vai participar por mensagem de vídeo durante esta cerimónia e a partir de Washington.

O reconhecimento de Jerusalém como a capital de Israel e a transferência da embaixada, instalada até agora em Telavive, foram anunciados a 6 de dezembro, fazendo cumprir a sua promessa de campanha, mas quebrando décadas de consenso internacional. Este momento coincide com o 70º aniversário do estabelecimento do Estado de Israel.

16 palestinianos foram mortos esta segunda, 14 de maio, na Faixa de Gaza por tiros dos soldados israelitas na fronteira, onde milhares de pessoas estão a protestar contra a decisão, segundo o Ministério da Saúde local. Há também a reportar já várias centenas de feridos resultantes de confrontos violentos na região.

Decisão vai alimentar ainda mais tensões, diz Rússia

Esta posição inflexível dos EUA surge após posição contrária da ONU e dos países europeus, árabes e muçulmanos, assim como a linha diplomática seguida por Washington ao longo de décadas.

A Rússia já veio criticar – esta segunda-feira, 14 de maio – a decisão de Trump e afirma tratar-se de uma medida “sem visão” que irá alimentar ainda mais as tensões entre Israel e os palestinianos. Esta posição parte de Mikhail Bogdano, o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros russo e considerado o ‘número dois’ da diplomacia russa.

À Interfax, o vice-ministro russo reforçou que a decisão “vai contra a posição da maioria da comunidade internacional” e culpou ainda os EUA pela “grave escalada em torno de Gaza”, advertindo que a transferência “poderá desencadear confrontos em grande escala entre palestinianos e israelitas e provocar um número crescente de vítimas“.

CB com Lusa

Imagem de destaque: Jonathan Ernst/Reuters