Joana Amaral Dias: IVG “não é um direito fundamental”

ApresentaÁ„o da candidatura de Joana Amaral Dias
Joana Amaral Dias [Fotografia: Álvaro Isidoro / Global Imagens]

Já militou por um partido que defende a IVG, mas agora Joana Amaral Dias apresenta-se às eleições Europeias de 9 de junho como candidata independente ao Alternativa Democrática Nacional (ADN), que quer por as mulheres a pagar por aborto quando for por decisão da mulher. Um partido associado à extrema direita que quer acabar com matérias de igualdade de género na escola e cirurgias de mudança de sexo. “Não mudei assim tanto, não mudei radicalmente”, afirmou a comentadora no lançamento da candidatura às europeias, que teve lugar ao fim da tarde de quinta-feira, 18 de abril, em Lisboa.

A comentadora negou “qualquer incongruência” e que mudanças apenas se devem a “ajustes de circunstâncias”. “A essência, continuo a defendê-la”. A escolha do ADN deve-se a, “entre todas as escolhas disponíveis”, um “chão comum e lato” com a agora candidata a eurodeputada.

Questionada sobre a recomendação aprovada pelo Parlamento Europeu para a inclusão do aborto na Carta dos Direitos Fundamentais da União Europeia, a candidata disse que defende a IVG “em determinadas circunstâncias” e que considera que este “não é um direito fundamental”.

O presidente do ADN referiu que o objetivo do partido é “pelo menos eleger a Joana Amaral Dias”, mas considerou “ser possível chegar ao segundo deputado europeu” ou mesmo a “um terceiro” e pediu novamente o “voto de confiança” dos eleitores que votaram nas legislativas. Nas últimas eleições legislativas, o ADN conseguiu mais de 100 mil votos, depois de em 2022 ter tido quase 11 mil.

Bruno Fialho justificou também a escolha de Joana Amaral Dias para cabeça de lista salientando que é “ativista, independente, informada, culta e inteligente” e uma “defensora da independência e soberania de Portugal”, além de um “símbolo do inconformismo”.

Quanto aos restantes candidatos que vão compor a lista do ADN ao Parlamento Europeu, remeteu o anúncio para mais tarde, indicando que a lista está a ser fechada.

Na sua intervenção, Bruno Fialho considerou que a Europa “vive hoje o período mais desafiante da História” e defendeu que a “essência do problema está no poder que foi entregue às instituições europeias”.

O líder disse que o “ADN quer ter uma voz forte e ativa” de “resistência contra os ataques à democracia, aos direitos e liberdades” que considerou estarem em curso, e elegeu “o globalismo” como “maior inimigo”.

Joana Amaral Dias já foi deputada à Assembleia da República eleita pelo BE, candidata nas legislativas de 2015 pela coligação AGIR (PTP e MAS), candidata à Câmara de Lisboa pelo Nós, Cidadãos! e mandatária do socialista Mário Soares nas eleições presidenciais de 2016.

A cabeça de lista disse na apresentação que não mudou “assim tanto” desde que chegou à política, “há mais de 20 anos” e contrapôs: “Quem se venceu, quem mandou a toalha ao chão foram as outras forças políticas, foram os outros, eu sigo sempre a mesma”.

Agora, afirma: “Quero ser a vossa voz no Parlamento Europeu”, referindo que integra a lista do ADN como independente e para “lutar pela paz, pela liberdade, pela justiça e pela democracia” e quer “um espaço europeu que seja governado por eleitos e não por elites”.

“Aqui não há enganos, nem votos enganados. Os votos no ADN não foram nenhum acaso, pertencem a cada vez mais portugueses que percebem que foram defraudados, abandonados pela democracia”, defendeu a ativista, numa referência ao crescimento do partido nas últimas eleições legislativas, atribuído por alguns a uma confusão dos eleitores com a AD (coligação PSD/CDS-PP/PPM).

Joana Amaral Dias disse ser contra a guerra, contra uma “globalização glutona”, contra a “censura e o silenciamento” e também contra o “monopolismo perverso tornou a livre concorrência num mito”. “Move-me uma Europa que não esteja sempre subserviente a poderes opacos”, afirmou.