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Joana Solnado: “O meu apelido trouxe-me muito mais orgulho do que peso”

Uma “moleca” de 33 anos apaixonada pela vida, pelo presente, pela sua gente. Esta é a Joana Solnado que marcou presença no ‘Alta Definição’, da SIC, para falar de tudo um pouco: do avô, da mãe, do “grito do Ipiranga” e da relação com a espiritualidade.

A família foi o tema central da entrevista. E a atriz esclareceu desde o início: “O meu apelido trouxe-me muito mais orgulho do que peso. Nunca senti que me abrisse ou fechasse alguma porta”.

Começou por recordar os momentos que passou a sós com o avô, o ator e humorista Raul Solnado, e o desconforto que muitas vezes sentiu quando o público o “roubava” de si. “Partilhá-lo com tantas pessoas não foi uma cena fixe. Eu queria o meu avô só para mim”.

Com ele aprendeu a ter “genica” e a rir perante a vida. “Ele dizia ‘Podes olhar para a vida através da tragédia ou da comédia’. Se olharmos através da tragédia, tudo é um drama. Se olharmos através da comédia, relativizamos muito mais as coisas. Fiquei com isso para a vida”, contou Joana.

Sempre com um sorriso no rosto, relembrou ainda os últimos dias de Raul Solnado no hospital – o ator morreu a 8 de agosto de 2009, na sequência de um grave quadro clínico cardiovascular. “Lembro-me que, na altura, disse-nos a todos para irmos descansar. Eu estive com ele na sexta-feira à noite e ligaram-me às nove da manhã [de sábado]. Quando ele decidiu que era altura de ir, mandou-nos embora e foi”.

Sem tabus, a artista mostrou-se também ainda “muito orgulhosa” do percurso da mãe, Alexandra Solnado, figura várias vezes criticada pela sua forte ligação à espiritualidade. “A nossa sociedade ainda é muito fechada e conservadora. O público da minha mãe está quase todo lá fora”.

“Eu lido bem com o lado espiritual da minha mãe. Ajudou-me em muita coisa, retirou-me os preconceitos e levou-me a viver de forma mais simples”.

Não é religiosa, mas tem fé no ser humano. Joana Solnado, “avessa a exclusividades e a coisas definitivas”, recordou ainda com brilho nos olhos o momento em que deu o “grito do Ipiranga”, aos 27 anos. “Acabei uma novela, acabei uma peça, acabei o casamento. Foi maravilhoso. Fui 10 meses de viagem, fiz amizades incríveis”.

No Laos, onde morou com uma larga família, trabalhou num restaurante e fez voluntariado junto de crianças com deficiências. “Receber olhares de gratidão sincera, sem máscaras, sem filtros, é fantástico. Isso é ser feliz”, explicou, garantindo ainda: “Essa é uma viagem que quero repetir com os meus filhos”.

A portuguesa que cresceu a ouvir Chico Buarque e Elis Regina sorriu ainda ao abordar a sua “relação muito intensa” com o Brasil, onde tem apostado na representação. Mas ser atriz, advertiu, é apenas uma parte da sua vida. É a família – sobretudo a sua filha, Flor, de quatro anos – que a define. ” Ser mãe é uma das grandes magias da vida. É inexplicável”, concluiu.

Carolina Morais