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Malala condena perseguição aos rohingya e estranha silêncio de Aung San Suu Kyi

A jovem prémio Nobel da Paz Malala Yousafzai critica a perseguição à minoria rohingya na Birmânia, que já originou manifestações e protestos em várias nações muçulmanas.

“Cada vez que vejo as informações, fico com o coração partido face ao sofrimento dos muçulmanos rohingya da Birmânia”, escreveu a jovem paquistanesa vítima dos talibãs na rede social de mensagens curtas Twitter.

Malala também manifestou estranheza em relação ao silêncio de Aung San Suu Kyi, igualmente Nobel da Paz e líder de facto do governo birmanês.

“Nos últimos anos, não deixei de condenar o tratamento vergonhoso de que são alvo. Continuo à espera que a minha colega prémio Nobel faça o mesmo“, disse Malala Yousafzai, prestes a tornar-se estudante em Oxford, tal como aconteceu com Suu Kyi há dezenas de anos.

Aung San Suu Kyi (Eric Vidal/Reuters)

 

O gabinete de coordenação das Nações Unidas no Bangladesh disse hoje que perto de 87.000 pessoas da etnia rohingya chegaram ao país em fuga da Birmânia desde 25 de agosto.

Segundo os militares birmaneses, o balanço de 10 dias de violência é de 400 mortos, entre os quais 370 “terroristas” rohingya.

A violência começou com o ataque de cerca de três dezenas de postos de polícia pelos rebeldes do Exército de Salvação do Estado Rohingya (ARSA), que dizem pretender defender os direitos desta minoria muçulmana na Birmânia.

Aung San Suu Kyi, que tem mantido o silêncio sobre o assunto, recebeu esta segunda-feira, 4 de setembro, a chefe da diplomacia da Indonésia, Retno Marsudi, enviada para tentar fazer pressão sobre a Birmânia.

No domingo, esta missão diplomática foi anunciada pelo presidente da Indonésia, a mais populosa nação muçulmana. “A violência e esta crise humanitária devem acabar imediatamente”, disse Joko Widodo.

Algumas horas, antes um ‘coktail’ Molotov tinha sido lançado contra a embaixada da Birmânia em Jacarta, sem causar feridos, e esta segunda-feira várias centenas de mulheres manifestaram-se junto da representação diplomática, pedindo ao governo para tomar uma posição mais firme contra a perseguição dos rohingyas.


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No Paquistão, o Ministério dos Negócios Estrangeiros apelou à Birmânia para investigar as acusações de atrocidades cometidas contra a minoria muçulmana, que a ONU considera uma das mais perseguidas do mundo.

Na Malásia, foi o primeiro-ministro, Najib Razak, a apelar para que “a situação terrível” dos rohingyas seja “melhorada para bem da Birmânia e de toda a região”.

Também na predominantemente muçulmana república russa da Chechénia milhares de pessoas manifestaram-se em protesto contra o que o líder checheno, Ramzan Kadyrov, designou de “genocídio de muçulmanos” na Birmânia.

Lusa