Como fazer o luto de um animal de estimação? Especialista explica

Maria Botleho Moniz
[Fotografia: Instagram]

Maria Botelho Moniz acaba de perder um amigo de longa data: o seu cão, que a acompanhou nos últimos 16 anos. Partidas difíceis, uma especialista explicou já ao Delas.pt como lidar com o adeus de um animal de estimação. Mas já lá vamos.

Neste momento, é o rosto da TVI, dos Extra do Big Brother e, em substituição de Manuel Luís Goucha, no Você na TV!, quem lida com a perda e o luto de Sushi, um cão que a acompanhou durante 16 anos, e faz-lhe emocionada homenagem nas redes sociais

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16 anos. Foi-me dado pelos meus pais com 3 meses quando vim no verão a Portugal depois de acabar o conservatório no EUA. A ideia era eu ter companhia quando voltasse para o país onde iria trabalhar poucos meses depois. Aos 5 meses estava num avião comigo a ir para Los Angeles, foi o sucesso do meu bairro e fazia furor nos aeroportos. Uma vez no aeroporto de Atlanta fugiu por baixo da porta de uma casa de banho e quando saí estava ao colo de uma menina de 4 anos que insistia com a mãe: “Mommy, it’s a bunny!” Tirá-lo dali foi um sarilho. Lembro-me que na altura, o quadradinho dos papéis da emigração que tinha de assinalar para entrar com ele nos EUA era o mesmo que enumerava a entrada no país com plantas e comida. Fiz a cruz e esperei na interminável fila do aeroporto de Newark. O sr. da fronteira foi muito simpático, demorou o seu tempo, carimbou tudo e mandou-me seguir. Com a pureza e nervosismo dos meus 20 anos (e para não ser acusada de ocultar alguma coisa), perguntei se não precisava de ver o passaporte do cão. “What dog?” – perguntou. “The one I’m traveling with.” – respondi. Pediu para ver o cão e desatou a rir. Disse que era tão pequeno que nem o viu e que achou que a minha cruz era para declarar a entrada de uma sandes ou qualquer coisa assim. Mandou-me tirá-lo da mini transportadora que tinha a tiracolo e chamou metade dos seguranças para contar o episódio. Não quis ver os papéis dele, nem o passaporte que eu tão orgulhosamente tinha para o identificador. E o Sushi ali, radiante a patinhar a bancada de um dos aeroportos com a segurança mais intimidante do mundo, rodeado de homens enormes fardados que pareciam crianças com um brinquedo novo. De regresso a Lx assistiu a todas as minhas conquistas, saiu comigo de casa dos meus pais, fez (que nem pessoa) o luto daquele que foi um bocadinho o seu dono, ganhou uma irmã adoptiva quando a Hope entrou na nossa vida, chorou ao meu lado a morte do meu pai e viu todos (à excepção de 2) os meus sobrinhos nascer. Ontem tive de tomar uma decisão, dar-lhe aquilo que sempre me deu: amor. E deixá-lo ir confortável esquecendo o meu lado egoísta de o querer ao meu lado para sempre. Até já Sushi, manda beijinhos ao avô.

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Um companheiro que, conta a apresentadora de Queluz de Baixo, de 36 anos, esteve ao seu lado em tudo. “Assistiu a todas as minhas conquistas, saiu comigo de casa dos meus pais, fez (que nem pessoa) o luto daquele que foi um bocadinho o seu dono, ganhou uma irmã adoptiva quando a Hope entrou na nossa vida, chorou ao meu lado a morte do meu pai e viu todos (à excepção de 2) os meus sobrinhos nascer. Ontem tive de tomar uma decisão, dar-lhe aquilo que sempre me deu: amor. E deixá-lo ir confortável esquecendo o meu lado egoísta de o querer ao meu lado para sempre. Até já Sushi, manda beijinhos ao avô”, publicou Maria Botelho Moniz na sua conta de Instagram.

Sushi, descreve a apresentadora, foi-lhe “dado pelos pais” após ter concluído “o conservatório nos Estados Unidos da América.” “A ideia era eu ter companhia quando voltasse para o país onde iria trabalhar poucos meses depois. Aos 5 meses estava num avião comigo a ir para Los Angeles, foi o sucesso do meu bairro e fazia furor nos aeroportos”, recorda.

Perder o companheiro de uma vida é difícil. Por isso, o Delas.pt recorda o que Teresa Andrade, psicóloga clínica e docente no Instituto Universitário Egas Moniz, recomenda nestes momentos mais complexos.

Entre os primeiros passos, a especialista recorda que é necessário “compreender aos poucos que a vida pode prosseguir de outras formas, encontrar novas rotinas e equilíbrios”. “O luto não desaparece, mas a vida pode continuar com a saudade e lembrando as coisas boas porque passámos juntos, as boas memórias e a sorte que foi termos tido aquela pessoa ou animal connosco por algum tempo. A morte é inevitável, mas o que de bom se viveu não se perde, fica no nosso coração”, vinca.

Para a especialista, o luto “é um processo de adaptação a uma perda permanente e não reversível de alguém ou algo que fazia parte constante da nossa vida, da nossa rotina e dos nossos afetos, quanto mais presente estava e mais forte a relação mais difícil é”. “Nos animais, embora a intensidade da relação possa ser equivalente à que temos com uma pessoa, já sabemos que não vão viver tanto tempo. A intensidade da perda pode ser a mesma, mas para a perda do animal estamos mais preparados”, sublinha.

E deve-se ou não procurar um novo companheiro? “Um novo animal pode trazer alguma alegria e é bom para o animal também, no entanto nunca substituirá o que partiu. É uma outra história, é ter esperança em construir algo novo e é bom”, considera Teresa Andrade.