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Assédio sexual: Microsoft acaba com acordos que favorecem os agressores

O presidente da Microsoft, Brad Smith, anunciou esta terça-feira, 19 dezembro, a decisão da empresa em acabar com a “mediação forçada” nos casos internos de assédio sexual.

A prática, que é amplamente seguida no mundo empresarial dos EUA, obriga a vítima e o assediador a chegar a um acordo, num processo que decorre internamente e que, ao mesmo tempo, mantém as situações de assédio longe dos tribunais e da opinião pública.

Brad Smith anunciou oficialmente a decisão na página de blogue do gigante tecnológico, afirmando que “silenciar as vozes das pessoas teve claramente um efeito de perpetuação do assédio sexual”.

A Microsoft é a primeira grande empresa que opta por eliminar a “mediação forçada” das suas práticas internas e a decisão surge depois de a administração se ter reunido, em Washington com o senador republicano, Lindsey Graham.

O político, em conjunto com a senadora democrata, Kirsten Gillibrand, tinham apresentado no início deste mês um projeto de lei que proibia a “mediação forçada“, por considerarem que protege o assediador, que continua a trabalhar na empresa, na maior parte dos casos.

Os dois políticos estimam que cerca de 60 milhões de pessoas estejam sujeitas a esta prática nos seus locais de trabalho, mas as contas do Instituto de Políticas Económicas vão mais longe, calculando que mais de metade dos trabalhadores norte-americanos esteja abrangido por aquele regime.

Escândalos ajudaram à mudança
O elevado mediatismo dos recentes escândalos de assédio sexual, que têm abalado os Estados Unidos da América, contribui para o tema estar na ordem do dia e para um aumento das denúncias, levando ao afastamento de muitos dos acusados dos postos que ocupavam, em diferentes áreas.

Mas foi o caso da apresentadora da Fox News, Gretchen Carlson, que veio trazer, nos últimos meses, para a esfera pública o debate sobre a “mediação forçada”. Carlson, que se tornou entretanto numa das mais conhecidas opositoras da medida, viu-lhe dificultada possibilidade de levar a tribunal o então presidente e administrador-delegado da Fox News, Roger Ailes, por assédio sexual.

A apresentadora acabou por ser despedida do canal, em junho deste ano, e acusou Ailes de se “vingar” e de “sabotar a sua carreira”, por ter recusado as suas “insinuações sexuais” e ter feito queixa do seu “assédio sexual grave e generalizado”.

Com base na sua experiência pessoal, Carlson afirmou, numa entrevista à CNN, que “a mediação forçada é o melhor amigo do assediador”.

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AT com Lusa

Imagem de destaque: Shutterstock