Ministra do interior do Reino Unido demite-se

A ministra do interior do Reino Unido, Amber Rudd, demitiu-se dia 29 de abril, depois de vários dias de polémica sobre a criação de quotas anuais de deportação de imigrantes ilegais.

Um porta-voz da primeira-ministra britânica, Theresa May, adiantou que a chefe de governo aceitou o pedido de demissão de Amber Rudd.

A oposição britânica exigia há dias a demissão de Rudd depois da publicação nos media de documentos que revelam que a ministra do Interior tinha conhecimento do estabelecimento de quotas de deportação apesar de o ter negado numa audição parlamentar.

Amber Rudd ia falar no parlamento inglês sobre o chamado caso ‘Windrush’, que afetou imigrantes caribenhos que ajudaram a reconstruir o Reino Unido nas décadas a seguir à Segunda Guerra Mundial (1939-45), que ficaram sem cuidados médicos ou foram ameaçados de deportação. Desde 2012 que novas regras do governo Conservador tornaram mais difícil conseguir casa, cuidados médicos e emprego aos imigrantes que nunca foram legalizados. A outros, foi dito que teriam que sair do país.

Amber Rudd prometeu a todos os imigrantes de países da Commonwealth que chegaram depois de 1973 que teriam automaticamente direito a cidadania britânica e que seriam compensados.

A ministra enfraqueceu ainda mais a sua posição quando disse na semana passada aos membros do parlamento que o governo não definiu quotas para deportações e logo a seguir surgiu um memorando de 2017 com metas para “retiradas forçadas”.

Afirmou então nunca ter visto esse memorando, mas o jornal Guardian publicou uma carta de Amber Rudd para a primeira-ministra, Theresa May, em que a ministra referia um aumento de 10 por cento nas deportações.

O caso Windrush preocupa também os três milhões de cidadãos da União Europeia que vivem no Reino Unido e que temem o que lhes possa acontecer após a saída do bloco europeu.

O governo Conservador definiu como objetivo reduzir para menos de 100.000 pessoas por ano a entrada no país, menos de metade do que acontece atualmente.

Imagem de destaque: Reuters

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