Mora sozinha? Dez passos para antecipar e lidar com a subida de empréstimos

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[Fotografia: Ian Samkov/pexels]

Os alertas têm sido mais do que recorrentes. As prestações da casa estão a disparar com a subida das taxas de juro e o reflexo começa a sentir-se severamente já neste mês de agosto, com estimativas de acréscimos entre os 39 e os 104 euros.

Ao Delas.pt, a Associação Defesa do Consumidor (Deco) elencou um conjunto de medidas preventivas para começar a fazer face a esta subida do crédito, especialmente se mora sozinha e tem a casa a cargo.

“É uma realidade cada vez mais comum entre as portuguesas, que estão obrigadas a fazer o planeamento e a controlar o dinheiro de forma muito responsável”, vinca o organismo, lembrando que “têm que suportar sozinhas todas as despesas relacionadas com a sua casa e conciliá-las com as suas despesas pessoais”.

Por isso, conheça as dez recomendações deixadas pela associação.

1. Fazer o diagnostico financeiro e organizar o orçamento

2. Reduzir ou mesmo eliminar as despesas desnecessárias

4. Evitar as compras por impulso

5. Controlar a utilização do cartão de crédito e o recurso a crédito

6. Controlar a sua taxa de esforço, não deixar que ultrapasse os 35% do seu rendimento

7. Estar atento às condições do seu crédito habitação

8. Acompanhar a evolução da EURIBOR e avaliar o impacto na sua prestação

9. Criar uma reserva financeira, um pé-de-meia para imprevisto, para despesas inesperadas que sujam

10. Investir no futuro

E para as famílias?

Para os agregados familiares, a Deco deixa também coordenadas no sentido de antecipar as mexidas bruscas por via da subida da taxa de juro. Nesse sentido, a entidade “aconselha as famílias a anteciparem a subida de taxas de juro de créditos à habitação para minimizarem o seu impacto nos orçamentos familiares”, refere. E estes são os passos recomendados:

Fazer o diagnóstico financeiro: A família deve olhar para os seus gastos e começar por fazer um “orçamento onde identifica todos os dados e rendimentos”. “Caso o saldo do orçamento mensal seja negativo ou próximo de zero, a família deve refletir cuidadosamente: onde poderá reduzir ou eliminar algumas despesas. Devem começar por identificar os gastos essenciais e os gastos não essenciais ou supérfluos”, recomenda a entidade em resposta por escrito ao Delas.pt.

Calcular a Taxa de Esforço: “A família deve identificar todas as responsabilidades de crédito que detém e calcular a taxa de esforço, ou seja, o peso das prestações de crédito no seu rendimento líquido. Idealmente deveria ser inferior a 35%. Caso seja superior, deve tentar reduzir as prestações de crédito (Esta é a fórmula a aplicar: Taxa de esforço = Prestação / Rendimento x 100)”, refere.

“Se a família já tem ou perspetiva que seja superior ao recomendável, deve contactaR o banco e avaliar, por exemplo, se é possível alargar o prazo do contrato. Tal permitirá um alívio imediato na prestação, mas é importante que o consumidor pondere, pois vai pagar o empréstimo por mais tempo, o que significa que ficará mais caro”, alerta a Deco.

Olhar para o crédito à habitação: E neste capítulo, são enumerados vários itens de análise a ter em conta. O primeiro passa por analisar o mercado, ou seja, “simular as condições do empréstimo noutras instituições de crédito e analisar se existe na concorrência condições mais vantajosas”, afirma a Deco. De seguida, prestar atenção ao spread. “Sabendo que é a componente da taxa de juro que representa a margem de lucro do banco, pode variar de consumidor para consumidor, de acordo a análise de risco efetuada. Se o valor estiver acima do praticado atualmente no mercado, deve ser discutida a possibilidade de o baixar”, recomenda a Deco.

Ainda dentro deste capítulo, a entidade sugere ponderar transferir o crédito e para uma taxa fixa. Quanto ao primeiro, “se existirem melhores condições no mercado, pode-se ponderar a transferência do crédito à habitação”. Mas há um alerta a ter em conta: “Nunca se deve esquecer de contar com os custos associados à transferência, nomeadamente do reembolso a pagar ao seu banco por amortização antecipada do empréstimo que se prevê ser de 0,5% do capital em dívida.”

Sobre a mudança da taxa variável para a fixa, a Deco recomenda que se façam contas. “Pode também avaliar-se se compensa mudar para taxa fixa. É verdade que não se fica exposto à subida da Euribor, mas também não beneficia quando desce. Além disso, as taxas fixas são sempre mais elevadas do que as variáveis, é o preço da estabilidade pago pelo consumidor”, vinca.

Acompanhar a evolução da Euribor: É importante “avaliar o impacto na prestação. Os consumidores podem fazer a simulação para o seu crédito utilizando o simulador do Banco de Portugal, e que está disponível aqui.