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Conheça a mulher que descobriu a matéria negra

Vera Rubin, a astrónoma norte-americana que ajudou a confirmar a existência de matéria negra, morreu este domingo, aos 88 anos.

A cientista morreu de causas naturais, na casa onde residia nos últimos anos, em Princeton, New Jersey, anunciou o filho na segunda-feira.

Rubin integrou, nos anos 70, os estudos sobre a rotação das galáxias e descobriu que as galáxias não giram como previsto, o que reforçou a teoria da existência de outra força, designadamente a matéria negra ou matéria escura. Essa matéria, que nunca foi diretamente observada, constitui 27% do universo.

As conquistas científicas de Vera Rubin valeram-lhe numerosas distinções e além da sua importância para a astrofísica, a investigadora foi uma entusiástica pioneira da participação das mulheres nas ciências.

Numa entrevista, republicada no livro ‘Bright Galaxies, Dark Matters’, que lançou em 1997, e citada pela rádio NPR, Vera Rubin explicou que a sua paixão pela astronomia vinha desde os dez anos e que a sua entrada num mundo, à época, exclusivamente masculino não foi planeada. “Eu não conhecia nenhum astrónomo, homem ou mulher. Não sabia que todos os astrónomos eram homens, porque desconhecia esse facto”, afirmou.

Da rejeição de Princeton à Medalha Nacional das Ciências
Segundo a biografia da cientista, publicada no site do Museu de História Natural Americano, Rubin ganhou uma bolsa para estudar na universidade feminina de Vassar, onde foi a única aluna a graduar-se em astronomia, no ano de 1948.

Apesar disso foi rejeitada na Universidade de Princeton, que, até 1975, não aceitava mulheres no programa de astronomia. Vera Rubin acabou por prosseguir os estudos em Cornell e Georgetown, onde começou o doutoramento, aos 23 anos. Na altura, a investigadora já era mãe de uma criança e esperava o segundo filho.

Vera Rubin foi a primeira mulher a usar o Observatório Palomar de Caltech e a segunda astrónoma a ser eleita para a Academia Nacional de Ciências da América. Entre as distinções pelo seu trabalho, está a Medalha Nacional das Ciências.

A investigadora utilizou a sua influência para incentivar a admissão de mulheres nas organizações e instituições científicas.

Imagem de destaque: Carnegie Institution

Ana Tomás