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Mulheres, árabes e sauditas. A 100%?

Em 2014, Hanadi al-Hindi tornava-se na primeira saudita a conseguir o brevet de piloto e a poder pilotar no reino. Dois anos depois, continuava à espera de se sentar aos comandos de um avião comercial do seu país.

Mas a quem lhe perguntava sobre a contradição de querer ser piloto num país onde as mulheres nem podem conduzir, Hanadi, de 37 anos, garantia: “É melhor ter um motorista para evitar o sofrimento de procurar um lugar de estacionamento, já ser piloto é uma profissão”.

A partir de junho do próximo ano as mulheres sauditas passam a poder conduzir. O decreto real foi emitido esta semana. Mas isso não promete apagar as contradições de um reino em que metade da população tem menos de 30 anos, mas os últimos monarcas andavam todos nos 80.

O esforço de modernização, esse, faz parte da chamada Visão 2030 apresentada pelo príncipe herdeiro Mohammed bin Salman. Aos 32 anos, o filho do rei Salman há muito provou que a juventude não lhe tira influência. Pelo contrário – da intervenção no Iémen ao bloqueio ao Qatar, a sua mão está em quase tudo.

Agora autorizadas a conduzir, as sauditas continuam ainda proibidas de fazer coisas tão básicas como casar, divorciarem-se, abrir uma conta bancária, ter um emprego ou marcar uma cirurgia sem autorização do guardião – seja o pai, o marido ou um irmão.

Obrigadas a usar a abaya em público e com direito a herdar apenas metade do que os homens, poder ir de carro para onde quiserem sem motorista é apenas o primeiro passo de uma longa luta pela igualdade. E por poder ter o gostinho de acelerar para conseguir o último lugar de estacionamento.

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