Mulheres com pelouros passam a estar em maioria na Câmara de Lisboa

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[Fotografia: Gonçalo Villaverde / Global Imagens]

Com a suspensão de mandato do vereador centrista Diogo Moura subirá Joana Oliveira Costa, que ainda não tem pelouro atribuído. Uma decisão que aguarda detalhes mas que coloca, desde já, um maior número de mulheres do que homens com pelouros na principal autarquia do país.

Elas serão quatro em funções executivas (Sofia Athayde, Maria Joana Coruche de Castro e Almeida, Filipa Roseta e agora Joana Oliveira e Costa) eles com a gestão de três pastas (o próprio presidente, Anacoreta Correia e Ângelo Pereira).

Quanto a Joana Oliveira Costa, a nova vereadora é do CDS, é vice-presidente da Comissão Política Concelhia de Lisboa do partido, desde 2022, e aluna da licenciatura em Direito na Universidade Católica de Lisboa. A jovem, vogal da Comissão Política Nacional da Juventude Popular, desde 2023, foi cofundadora do “Politicamente Correto”, um projeto de literacia política apresentado como apartidário e independente.

Recorde-se que o vereador da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa (CML), também do CDS, suspendeu o mandato na semana passada, a pedido do presidente da Câmara Municipal de Lisboa, Carlos Moedas, dias depois de ter sido formalmente acusado pelo Ministério Público do crime de fraude em duas eleições internas dos democratas-cristãos.

O presidente da autarquia anunciou esta quarta-feira, 15 de maio, que “assume a pasta da Cultura”, depois da suspensão do mandato. Numa declaração escrita enviada à Lusa no domingo, Carlos Moedas revelou que pediu a Diogo Moura “que suspendesse o seu mandato, pedido a que o próprio acedeu de imediato”.

O social-democrata explicou que, “apesar de as alegações que lhe são imputadas não se reportarem ao mandando enquanto vereador”, considerou “não haver condições para o vereador continuar a desenvolver o seu trabalho em prol dos lisboetas”.

O autarca louvou “o excelente trabalho, empenho e dedicação” de Diogo Moura ao longo dos últimos dois anos e meio como vereador, “em áreas como a Inovação, Economia e Cultura” (entre os seus pelouros estavam também a Relação com as Juntas de Freguesia, o Espaço Público, os Abastecimentos e Mercados, o Programa “Lojas com História” ou o Orçamento Participativo).

Também numa nota escrita enviada à Lusa, igualmente no domingo, Diogo Moura referiu que o presidente da Câmara de Lisboa lhe pediu que suspendesse o mandato de vereador da Cultura “para evitar os ataques que a oposição está a dirigir ao executivo” da capital. O democrata-cristão referiu que este processo “nada tem a ver” com as suas funções de autarca, “nem com decisões camarárias”.

“O referido processo não só é exterior à CML – trata-se de atos partidários -, como reporta a um tempo bem anterior ao atual mandato municipal. Não fui pronunciado, julgado ou condenado. A natureza do processo é a de um ataque pessoal sem fundamento”, defendeu, alegando estar “absolutamente inocente” e garantindo que irá prová-lo.

O Ministério Público acusou Diogo Moura, que é também vice-presidente do CDS-PP, de “dois crimes de fraude em eleições, agravados”, por ter alegadamente procurado manipular os votos de militantes em dois atos eleitorais (2019 e 2021), noticiou na quinta-feira a CNN Portugal.

De acordo com o canal de televisão, Diogo Moura “sabia que uma secretária da distrital de Lisboa estava na mesa de voto e enviou várias mensagens à mesma a pedir-lhe que introduzisse nas urnas votos de militantes que não se apresentassem na mesa de voto”.

No entanto, de acordo com a CNN Portugal, “a secretária da distrital nunca acedeu aos pedidos” e o caso acabou por ser denunciado e investigado pela PSP.

com Lusa