Mulheres Nobel da Paz encontram-se com rohingyas

Três mulheres laureadas com o Nobel da Paz começaram hoje uma visita ao Bangladesh, onde se vão encontrar com mulheres da minoria rohingya que foram violadas e torturadas por soldados birmaneses.

Segundo a Iniciativa das Mulheres Nobel, plataforma criada em 2006 e que junta seis mulheres laureadas com o Nobel da Paz, a delegação, composta pela iraniana ShirinEbadi, a iemenita TawakkolKarman e a norte-irlandesa MaireadMaguire, vai ter acesso aos campos de refugiados onde vivem cerca de 700 mil civis da minoria rohingya, perseguida na Birmânia (atualmente Myanmar).

Numa mensagem de correio eletrónico enviada à agência americana AP, TawakkolKarman garantiu que vão apelar para que “as vozes das mulheres rohingya sejam ouvidas”.

O êxodo da minoria étnica e religiosa (os rohingya praticam a religião muçulmana num país maioritariamente budista) começou no final do mês de agosto do ano passado, durante a operação militar desencadeada pelo exército birmanês contra o movimento rebelde Exército de Salvação do Estado Rohingya, que acusam de ser responsável por ataques contra postos militares e policiais.

O Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos considerou estar em curso uma “limpeza étnica”, sublinhando que há indícios de genocídio contra a minoria muçulmana da Birmânia.

Cerca de 700 mil rohingya deixaram a Birmânia e estão agora a viver em campos de refugiados no vizinho Bangladesh, naquela que é considerada uma das crises humanitárias mais graves do início do século XXI.

A repatriação dos rohingya já deveria ter começado em janeiro, tal como foi acordado entre os dois países, após negociações decorridas em novembro de 2017, mas as autoridades do Bangladesh decidiram adiar o processo por falta de condições de segurança.

Também organizações humanitárias têm manifestado sérias dúvidas em relação às intenções do Governo birmanês e exigem condições adequadas para um repatriamento seguro.

O Estado de Myanmar não reconhece a minoria rohingya. Em 1982, retirou a nacionalidade birmanesa aos pertencentes a esta minoria e impôs restrições à sua liberdade de movimentos: não podem viajar ou casar sem autorização, nem têm acesso ao mercado de trabalho ou a serviços públicos como escolas e hospitais.