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“Mulheres sexualmente saudáveis ainda são vistas como pessoas sem moral”

A sociedade (ainda) é machista e não permite a uma mulher falar abertamente sobre sexo sem que seja considerada “depravada”, diz Scarlett Johansson. A atriz norte-americana acredita que a intimidade feminina é um tema tabu que leva a considerações erróneas.

“Quando as mulheres falam sobre desfrutar de sexo, é quase proibido”, adianta Johansson à edição de julho da revista ‘Cosmopolitan’. “São vistas como loucas, sem regras, como prostitutas – como pessoas sem moral – pelo simples facto de terem uma vida sexual saudável”, atirou.

“São olhadas como depravadas ou como pessoas que não têm a capacidade para estar numa relação monógama”.

Johansson trabalha diretamente com a Planned Parenthood, organização que presta cuidados de saúde, não só nos EUA mas também no resto do mundo, e que é alvo de críticas pela ala mais conservadora norte-americana por, além de aconselhamento, oferecer métodos contracetivos, a possibilidade da interrupção voluntária da gravidez ou ainda realizar transferências de dinheiro para as “cidades santuário”.

“Não há nenhum motivo pelo qual não devamos falar sobre os nossos direitos reprodutivos”, explicou à publicação. “São algo por que temos que lutar e continuar a proteger. Não há nada de errado. Claro que são assuntos privados, mas de qualquer das formas devíamos acabar com o estigma”, sublinhou.

A sua preocupação de mãe também é essa: fazer com que a sua filha, Rose Dorothy Dauriac, de três anos, aprenda a defender aquilo em que acredita. “Eu cresci num meio que encorajava o ativismo, e nunca me preocupei com as consequências que isso poderia ter em qualquer fase da minha carreira. Mas também sei que isto é um luxo que nem todos têm”, conclui.

Ana Filipe Silveira