Mutação genética pode aumentar risco de espinha bífida

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[Fotografia: Pexels]

Um estudo identificou uma mutação genética que leva ao risco de mielomeningocele, o tipo mais grave de espinha bífida e o defeito congénito estrutural mais comum do sistema nervoso central.

A espinha bífida é um tipo de defeito do tubo neural, a estrutura de um embrião que se tornará o cérebro, a medula espinhal e os tecidos circundantes, que ocorre quando a coluna fetal não fecha completamente durante o primeiro mês de gravidez, refere uma investigação publicada esta quinta-feira na revista Science.

A mielomeningocele (MM) pode levar a uma variedade de dificuldades físicas e de desenvolvimento e, embora a sua incidência tenha diminuído nas últimas décadas, em grande parte graças à fortificação com ácido fólico, continua a ser um problema em algumas áreas do mundo.

As causas da MM permanecem em grande parte desconhecidas e o risco atribuível a variantes genéticas comuns permanece inexplorado.

O estudo agora publicado foi preparado por um grupo internacional denominado Spina Bifida Sequencing Consortium. O exoma (uma parte do genoma) e o sequenciamento do genoma de 715 trios de pais e filhos identificaram seis pacientes com deleções cromossómicas (um cromossoma ausente ou eliminado) 22q11.2.

Isto sugere que os pacientes com MM teriam 22,98 vezes mais probabilidade de ter a deleção 22q11.2 em comparação com a população em geral.

De acordo com os resultados, este risco está associado à perda de Crkl, um dos genes que expressam o tubo neural localizado no intervalo de deleção 22q11.2, e este risco é apenas parcialmente atenuado com suplementos de ácido fólico.

A análise dos dados genéticos de uma ‘coorte’ separada de indivíduos com deleção 22q11.2 sugeriu que o risco de MM era aproximadamente 12 a 15 vezes maior do que o esperado.

Os autores do estudo investigaram, através de ratos, genes candidatos que conduzem ao risco de MM e descobriram que a perda de Crkl era suficiente para reproduzir um defeito do tubo neural nesses animais.

A equipa observou que a deleção 22q11.2 comum confere um risco substancial de mielomeningocele, “parcialmente atenuado com suplementos de ácido fólico”.

LUSA