Óscares sem ‘dress code’ contra o assédio, mas com Weinstein de roupão

Ao contrário do que sucedeu nos Globos de Ouro ou nos prémios do cinema britânicos BAFTA – e nos quais Kate Middleton gerou polémica – não haverá dress code de negro para os Óscares em nome da luta contra o assédio sexual e discriminação contra a desigualdade salarial.

O movimento Time’s Up, que batalha pelo fim daquelas injustiças cometidas sobre as mulheres, considera que esse poderá não ser o caminho a seguir na passadeira vermelha dos prémios maiores da indústria do cinema e que vão ter lugar este domingo, 4 de março, a partir de Los Angeles, Estados Unidos da América.

Embaixadoras do movimento como a produtora Shonda Rhimes ou a atriz Laura Dern afirmaram que querem levar o movimento “mais além” e que pretendem que deixe apenas de ter lugar nas passadeiras das cerimónias de maior destaque. “Foi uma iniciativa que foi lançada na passadeira vermelha, mas não nasceu para viver aí”, revelou Rhimes no final desta semana.

Até ao momento, o Time’s Up já angariou 21 milhões de dólares (cerca de 17 milhões de euros) que serão acomodados em iniciativas que apoiem mulheres que passaram por aquela situações traumáticas e que as pretendem denunciar.

Segundo a diretora do Conselho da Casa Branca para as Mulheres e Raparigas Tina Tchen, o movimento já recebeu, desde janeiro deste ano, 1700 pedidos de ajuda legal. Mas a concessão de ferramentas por via da assessoria jurídica a vítimas é apenas uma pequena parte deste projeto que pugna não só pela elaboração de um projeto de lei que penalize e sancione as empresas que tolerem e sejam complacentes com abusos recorrentes por parte dos seus empregados, mas também pelo estabelecimento de um compromisso pela paridade de género em 2020, por parte das produtoras de cinema.

Harvey Weinstein foi o primeiro a chegar… de roupão!

Mas se as estrelas femininas – agora sem dress code por cumprir – ainda não chegaram à passadeira da 90ª edição dos Óscares, que decorre no Dolby Theatre, em Los Angeles, certo é que Harvey Weinstein – produtor acusado de abusos sexuais – já lá está, e num local absolutamente privilegiado: o Passeio da Fama. Na verdade, foi colocada uma estátua que coloca este responsável sentado num sofá, vestido apenas com um roupão e com um Óscar na mão.

Estátua de Harvey Weinstein, no Passeio da Fama [Fotografia: Lucy Nicholson/Reuters]

Da autoria do projeto “Casting Couch”, trata-se de uma colaboração entre o artista de rua anónimo Plastic Jesus, conhecido pelas críticas sociais com tom humorístico que apresenta nas suas obras, e o designer ‘Ginger’ Monroe, famoso pela figura nua de Donald Trump, criada em 2016.

Segundo avançou Plastic Jesus, a peça descreve a exigência de trocas de favores sexuais por trabalho que ainda “fazem muito parte da cultura de Hollywood”, escreve a Associated Press.

A escultura em tamanho real, colocada na quinta-feira, 1 de março, na Hollywood Boulevard, visa destacar a crise de má conduta sexual que tem acompanhado a indústria do entretenimento, representada pelo ex-produtor, referiu o artista. Plastic Jesus salientou ainda que considera que há muitos motivos para celebrar Hollywood nos Óscares, mas há uma “escuridão que acompanha esta indústria” que por vezes é ignorada.

Para o autor, este tipo de interação é uma forma de expandir o simbolismo que a estátua carrega, sendo que “para muita gente aspirante à carreira de ator, seria um sonho poder estar perto de Harvey”, mas “a realidade é que se tornou um pesadelo para muitos”.

CB com Lusa

Imagem de destaque: Reuters

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