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Esta mulher não quer que a extrema-direita alemã seja tão extrema

A Alternativa para a Alemanha (AfD) ainda lançava foguetes por se ter tornado o terceiro maior partido com assento parlamentar quando Frauke Petry veio estragar a festa. Uma das líderes mais conhecidas do partido de extrema-direita, anunciou esta manhã que pretende assumir o seu lugar de deputada Bundestag como independente e não como parte de um partido “tão anárquico”.

As divisões tornaram-se públicas esta manhã, na conferência de imprensa convocada por Petry. Ela é desde há muito a cara mais conhecida do partido mas tem estado menos visível nos meses mais recentes. Hoje volta a fazer notícia:

“Decidi que não farei parte do grupo da AfD no parlamento alemão mas que ocuparei individualmente o meu lugar na Câmara Baixa”

O anúncio de Petry caiu como um balde de água fria depois do partido a que pertence conseguir 12,6% de votos nas eleições de domingo, o que significa a entrada de um partido de extrema-direita no parlamento alemão pela primeira vez em mais de meio século.

“Creio que devemos hoje ser honestos sobre o desentendimento que há acerca do conteúdo da AfD e penso que não devemos calar-nos mais porque a sociedade está a exigir um debate aberto.”

Frauke Petry (à direita) com os líderes da AfD, Joerg Meuthen (esquerda), Alexander Gauland e Alice Weidel antes da conferência de imprensa em Berlim

 

Apesar das desavenças manifestadas, as declarações foram proferidas na presença dos outros líderes do partido como Joerg Meuthen, Alice Weidel e Alexander Gaulan.

O que não ficou claro é se Frauke Petry se mantém como dirigente do partido, fora do parlamento. Nesse caso, Petry poderá estar a tentar ter uma voz independente e a apontar para a liderança do AfD já que afirmou querer fazer de 2021, aquando das próximas eleições legislativas, “um momento de mudança para a direita” no parlamento: “Farei tudo o que puder para que aquelas ideias tão sensíveis que trabalhamos na AfD desde 2013 se tornem uma realidade política.”

Petry optou por posições mais moderadas do que as do seu partido, dizendo querer fazer parte de um governo e acrescentou: “um partido tão anarquista pode ser bem-sucedido na oposição mas não pode oferecer aos cidadãos uma opção credível de governo.”

A AfD foi fundada em 2013 por um grupo de académicos que se opunham ao Euro. O partido evoluiu para um discurso anti-imigração e colocou-se radicalmente contra a posição de Angela Merkel na crise dos refugiados. As divergências de Frauke Petry com os outros líderes da AfD começaram quando ela tentou expulsar Bjoern Hoecke do partido após este ter afirmado que o Memorial do Holocausto em Berlim era um monumento vergonhoso e que os livros de História deviam ser reescritos.