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Professores em greve e escolas de 1º ciclo mais afetadas

Os professores realizam esta quarta-feira, 15 de novembro, uma greve geral e uma concentração em frente ao parlamento, o que já se está a traduzir em algumas escolas fechadas, alunos sem aulas e professores na rua.

Na base das reivindicações deste protesto, cuja marcha rumo à Assembleia da República começou ao som de Grândola Vila Morena, de Zeca Afonso, está o facto de, no Orçamento do Estado para 2018, constar a proposta de não contagem do tempo de serviço – nove anos de serviço – e que será debatida esta manhã na Assembleia da República.

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Mário Nogueira, secretário-geral da Fenprof, destacou que os “professores não estão a reivindicar mais salários, só a pedir o que é justo”. “As pessoas trabalharam durante nove anos, quatro meses e dois dias em que estiveram congeladas as carreiras. Não estamos a exigir que seja em dois anos, estamos disponíveis para negociar um faseamento“, disse o responsável do sindicato dos professores à Agência Lusa.

Manhã diferente um pouco por todo o país

Os números de adesão à greve ainda não chegaram – espera-se que comecem a ser divulgados ao fim da manhã -, mas há já relatos do que está a acontecer um pouco por todo o país. Um dos cenários que mais se repete, e traçado pela associação de diretores escolares, é o de alunos a deambular pelos recreios em escolas onde a maioria dos professores aderiu à paralisação.

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Na ronda que a Lusa fez por várias escolas do distrito de Lisboa, confirmou a realidade relatada por Filinto Lima, diretor do Associação Nacional de Diretores de Agrupamentos e Escolas Públicas (ANDAEP), no dia em que são esperados milhares de professores em frente ao parlamento.

Os casos mais dramáticos chegam de escolas do 1º ciclo, onde “há uma grande razia, o que tem uma repercussão para os pais, uma vez que os alunos não podem ali ficar”.

No Porto, Filinto Lima estima que no agrupamento de escolas Dr. Costa Matos, em Gaia, que dirige, a adesão à greve ronde os 90%. Às nove e meia da manhã aquele responsável tinha a informação de que faltavam dois terços dos professores na escola-sede, frequentada por alunos entre o 5.º e o 9.º ano, não tendo ainda dados sobre o pré-escolar e o primeiro ciclo.


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No Algarve, muitos estudantes ficaram, esta quarta-feira, sem aulas devido à greve, uma situação que é transversal aos vários níveis de ensino, disse à Lusa Ana Simões, da Fenprof. A norte, em Braga, as duas das maiores escolas “arrancaram pela metade”, com alunos a ter aulas “com toda a normalidade” e outros a festejar o “feriado a meio da semana”.

Greve pode ser “decisiva”

“Os professores sabem que esta greve é talvez decisiva naquilo que pode vir a acontecer no plano negocial com a reunião que amanhã se realizará [com o Ministério da Educação] “, disse Nogueira, salientando que a expectativa de adesão à paralisação “é grande”. A Fenprof e a Federação Nacional de Professores (FNE) estiveram reunidas na terça-feira com o Governo.

Em comunicado enviado na terça-feira à noite, 14 de novembro, o Governo anunciou ter registado “avanços no sentido de um potencial acordo negocial”.

O Governo acrescentou que “foram exploradas possibilidades” que vão agora ser analisadas, com as reuniões entre as partes a serem retomadas na quinta-feira.

“Ontem não houve nenhuma apresentação de uma proposta concreta da parte do governo. Houve sim a tentativa de durante quase duas horas de nos explicar porque é que no plano estritamente jurídico o tempo não podia ser recuperado. Eles têm de perceber que a ditadura do jurídico não se pode sobrepor aos direitos das pessoas“, frisou Mário Nogueira.

CB com Lusa

Imagem de destaque: Shutterstock