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Quando temos de pagar para reciclar

Porque nada se perde e tudo se transforma – já dizia Lavoisier – a marca The Body Shop anunciou uma campanha de sustentabilidade para o mês de setembro: oferecer um creme de mãos novinho em folha a quem entregar embalagens vazias. Uma troca que agradou aos consumidores habituais pelo menos até perceberem que a marca se tinha esquecido de divulgar alguns pormenores.

A campanha foi anunciada na segunda-feira, dia 11 de setembro, no Facebook da The Body Shop. Esta quarta-feira, dia 13, quando consultámos a página encontrámos uma imagem de divulgação da iniciativa acompanhada da seguinte mensagem: “Até 25 de setembro traz uma embalagem vazia da The Body Shop e ao efetuares uma compra recebe um creme de mãos Fuji Green Tea de 30 ml. Stock limitado. Hurry up!”, como podemos ver na imagem abaixo e que entretanto a marca apagou da página.

Imagem: Facebook The Body Shop Portugal

A ausência de informações como a data de início da campanha e o facto de a imagem não revelar ser necessário realizar uma compra no mesmo momento da troca, levou algumas pessoas a deslocarem-se de imediato às lojas, na tentativa de conseguirem trazer o creme de forma gratuita. No Facebook da marca começaram, então, a surgir reclamações por no estabelecimento a campanha ainda não estar em vigor e por lhes ser exigida a compra de um produto para que a campanha fosse válida.

Em resposta aos comentários, a marca disse, primeiramente, que não seria necessário adquirir qualquer produto novo e que tal informação seria um erro por parte das lojas em que tal aconteceu. No entanto, horas depois surgiu um pedido de desculpas e a informação de que seria mesmo necessário realizar uma compra no momento da troca, como mostra a imagem abaixo.

Imagem: Comentário retirado da página de Facebook da marca The Body Shop Portugal

Entretanto, a marca britânica veio definir as condições gerais da campanha, assumindo que toda esta confusão se deveu a uma falha de comunicação interna.

Anote! De acordo com as regras oficiais, apenas de 16 a 25 de setembro, poderá trazer para casa o creme prometido. Este pertence à gama Fuji Green Tea e é um dos produtos mais populares da marca. Além de hidratar, promete desintoxicar e ajudar a acalmar a pele. Para o conseguir só tem de entregar na loja uma embalagem vazia que tenha em casa e comprar algum produto da marca, de qualquer valor.

De acordo com a comunicação da marca em Portugal, “o propósito desta campanha é trabalhar mais a sustentabilidade, um dos valores da marca e lembrar as pessoas do quão importante é reciclar e respeitar o meio ambiente. Tudo recompensando aqueles que são já nossos clientes”.

Pois, só que se esta campanha fosse uma verdadeira troca por troca como parecia ser pela imagem, facilmente incentivaria as pessoas a desfazerem-se de embalagens que vão acumulando em casa, promovendo ainda a reciclagem. No entanto, ao exigir a compra de um produto para que a troca seja válida, a iniciativa faz com que se pague para entregar algo de que já não precisamos.

Reciclagens sustentáveis

Se não houvesse exemplos de marcas que reciclam o desperdício sem nada em troca ou até, algumas, que premeiam os clientes por aderirem à iniciativa, talvez esta campanha da Body Shop não causasse tanto espanto. Recorrer à reciclagem não é uma medida de sustentabilidade nova entre marcas. Desde 2013 que a H&M tem apostado neste tipo de iniciativas surgindo, de vez em quando, com campanhas em que atribui vouchers, com determinado montante, em troca de sacos de roupa que já não usamos. Tudo sem que para isso tenhamos que dar qualquer valor monetário em troca.

No mesmo ano, a Intimissimi surgiu com uma campanha idêntica. A “Reciclar valoriza” atribuía um voucher com valor monetário em troca de roupa íntima que já não se usasse: €3 por cada soutien, €2 por cada pijama ou peça de knitwear (blusas, t-shirts, camisolas interiores, entre outras) e €1 por cada cueca ou boxer.

Também a Zara já entrou no espírito. Em 2016, a marca da Inditex colocou pontos de recolha para roupa usada em várias lojas de diversos países. Em Portugal, as peças de roupa recolhidas têm como destino o processo de reciclagem ou a doação, sendo atribuídas à Cáritas, dependendo do estado em que se encontrem.

Desta forma, várias marcas promovem a reciclagem sem qualquer custo para o consumidor, algumas delas até acabam por o recompensar pelo ato realizado.


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Florbela Lourenço