Quem é Annegret, a escolhida de Angela Merkel

Annegret Kramp-Karrenbauer [Fotografia: Ralph Orlowski/Reuters]

duas mensagens que, diz a imprensa germânica, a chanceler alemã parecer quer deixar ao partido e ao país, aquando da escolha da sucessora ao cargo de secretária-geral da União Democrata Cristã (CDU). A primeira é a de que quer reforçar o poder feminino na estrutura política de centro-direita, a segunda é a de que o partido deverá resistir a viragens, precisamente, à direita.

Mas quem é Annegret Kramp-Karrenbauer? A governadora de Sarre que acaba de recolher o apoio de Merkel, assumindo-se como possível herdeira da Chanceler. Um lugar de destaque que fica vago após renúncia de Pete Tauber, no domingo último. É importante, desde já, sublinhar que se trata da segunda mais alta função hierárquica do partido alemão, uma posição que foi ocupada pela própria Merkel durante dois anos (1998 – 2000).

Segundo a imprensa alemã, ambas líderes têm traços de personalidade e atitudes perante a política semelhantes.

Angela Merkel com Annegret Kramp-Karrenbauer [Fotografia: Ralph Orlowski/Reuters]

Mas nem sempre as mesmas opiniões em tudo: as questões sociais e a iniciativa para a coligação com ambientalistas são algumas das coincidências, mas no caso das quotas para mulheres, a convergência nem sempre foi total.

Quotas e legislação para casais do mesmo sexo

Quando Olaf Scholz, hoje presidente da Câmara de Hamburgo, submeteu uma moção para, em 2012, impor quotas obrigatórias para os quadros de supervisão do Bundesrat, Annegret votou a favor desta legislação de matriz social-democrata, opondo-se, então, às iniciativas de centro-direita apresentadas por Merkel à data. Um ano depois, já em 2013, quando o Tribunal Federal Constitucional sentenciou no sentido de aplicar igualdade de taxas a casais do mesmo sexo, Kramp-Karrenbauer deixou evidentes as suas preocupações relativamente ao alargamento de direitos à adoção a casais do mesmo sexo.

Na Europa, esta política de 55 anos é olhada como uma governante que há já muito tempo desenvolve trabalho pelos direitos das mulheres, igualdade de género em vários planos – no mercado laboral, na definição de quotas como porta de entrada de profissionais femininos nos lugares cimeiros, na participação política e na violência de género – e abolição de todos os tipos de discriminação. Esta é, pelo menos, a forma como o Instituto Europeu para a Igualdade de Género (EIGE) define Kramp-Karrenbauer.

Uma das primeiras em quase tudo

Nascida a 9 de agosto de 1962, em Völklingen, Saarland, na Alemanha, Annegret – AKK como é tratada no diminutivo – é a atual governadora do Sarre, cargo que ocupa há quase sete anos. Foi, aliás, a primeira mulher a assumir este executivo e a quarta a fazê-lo em nome de um estado germânico. No mesmo ano em que Merkel tomava a dianteira da secretaria-geral do partido, em 1998, a Annegret ocupava o lugar de deputada no parlamento federal germânico, Bundestag.

Entre 2000 e 2004, esta agora governadora desempenhou funções como ministra da Administração Interna, sob o executivo de Peter Müeller, tendo sido também a primeira mulher a fazê-lo. Já em 2009 e aquando da formação da coligação governamental, Annegret integrou o grupo de trabalho para a educação e política de investigação.

Nascida e criada numa família católica, estudou Ciência Política e Direito na Universidade de Trier and Saarbrücke, entre 1984 e 1990. É casada e tem três filhos.

Imagem de destaque: Ralph Orlowski/Reuters