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Scarlett Johansson: “Desta vez sinto que tive a minha experiência internacional”

Scarlett Johansson regressa aos cinemas portugueses amanhã. No filme ‘Capitão América: Guerra Civil’ volta a interpretar o papel de Natasha Romanov. Neste filme os super-heróis estão divididos e em vez de juntos combaterem o mal, dividem-se e combatem-se uns aos outros. Consegue adivinhar de que lado fica a personagem Viúva Negra?

Não é estranho interpretar a mesma personagem tantas vezes?
Sim. Mas não consigo pensar noutro formato em cinema, onde pudesse ter a oportunidade de crescer com a personagem como tenho aqui. Quando conhecemos Natasha, no ‘Homem de Ferro 2’, ela era Natalie e é possível ver o seu trabalho secreto. Até ao fim desse filme, não foi revelada a sua verdadeira identidade como agente da S.H.I.E.L.D. Vemo-la no seu ambiente em ‘Os Vingadores’ enquanto agente da S.H.I.E.L.D. No segundo filme do Capitão América, a minha personagem começa a questionar a sua identidade e as suas escolhas. Em ‘Vingadores: A Era de Ultron’, ela permitiu-se a ter vontade própria e a ver a sua vida fora daquele universo. Agora podemos encontrá-la novamente e, depois de tudo o que sabemos ter acontecido em ‘Vingadores: A Era de Ultron’, ela surge com uma maior vocação e acho que é isso que torna esta personagem realmente heroica. Esforçou-se e não cedeu, o que seria mais fácil, e passar a ter o que todos desejam. Mas escolhe a sua grande vocação e neste filme vemo-la a aproximar-se a uma posição de liderança.

Qual é a sua opinião sobre o desenvolvimento da história?
Natasha vê os Acordos de Sokovia como algo que provavelmente não será assim tão complicado. Acho que os vê como um obstáculo, numa visão geral. Vê-os desde uma posição estratégica. O caminho de menor resistência não é necessariamente o caminho errado. Podemos disfarçar durante algum tempo, fazer o que fazemos sempre e seguir em frente quando for o tempo certo. Mas, obviamente, as coisas ficam muito complicadas, porque há muitas pessoas envolvidas. Algumas das outras personagens levam os Acordos muito a peito, mas o ponto forte de Natasha é que não encara nada do ponto de vista pessoal, o que lhe permite ter uma perspetiva muito mais clara do que algumas das outras personagens. Isso também a coloca num lugar favorável para uma posição de liderança, porque é muito justa.

Marvel's Captain America: Civil War L to R: Sharon Carter/Agent 13 (Emily VanCamp), Sam Wilson/Falcon (Anthony Mackie), Natasha Romanoff/Black Widow (Scarlett Johansson), and Steve Rogers/Captain America (Chris Evans) Photo Credit: Zade Rosenthal © Marvel 2016

Sharon Carter/Agent 13 (Emily VanCamp), Sam Wilson/Falcon (Anthony Mackie), Natasha Romanoff/Black Widow (Scarlett Johansson), e Steve Rogers/Captain America (Chris Evans). Zade Rosenthal/ © Marvel 2016

Fale-nos sobre estar dos dois lados.
A Natasha não leva as coisas de forma muito pessoal e não está a escolher um lado. Acho que não vê as coisas só a preto e branco. Gosta de viver numa área cinzenta. Embora seja doloroso, por um lado, seguiu numa direção diferente e está a ser uma estratega que vive com as suas escolhas. Vê que Steve está a levar tudo pessoalmente e sabe o perigo que isso representa. Inicialmente, segue o caminho de menor resistência, mas começa a ver como esta questão se aprofunda e que é um atrito pessoal entre ambos os lados. Apercebe-se que deve ter uma estratégia diferente, mas acho que ela nunca irá assumir que Steve irá acabar por chegar à sua forma de pensar.

De que lado está ela?
A nossa equipa é composta por Tony Stark, Black Panther, Vision e Máquina de Combate.

Tem uma boa equipa.
Sim. Se houvesse uma cor para batalha, penso que vermelho seria a cor da vitória.

Como é a relação de Natasha com Tony Stark?
Natasha tem uma relação um pouco esquisita com Tony. Acho que vê Tony de uma forma muito clara e vê as suas fraquezas como um perigo para a equipa. Esse tipo de perigo, que foi visto nos filmes anteriores, é muito real e envolve uma série de vítimas. Tony é muito emocional e isso é assustador para Natasha, especialmente quando se está a falar num grande número de vidas que estão em risco por causa destas grandes decisões, capazes de causar uma enorme mudança nas suas vidas e pelas quais a equipa está responsável. Acho que Tony é mesmo uma causa perdida para Natasha. Acho que não têm uma relação em que ela possa falar com ele. Não sei se alguém pode. Vê Tony como um obstáculo e que tem de ser tratado em conformidade.

E quanto às novas personagens?
A Natasha vê Black Panther como alguém com muito potencial. Acho que vê nele alguém inteligente, estável emocionalmente, inesperado e altamente qualificado. Está interessada nele e em recrutá-lo.

( Zade Rosenthal/ © Marvel 2016)

Zade Rosenthal/ © Marvel 2016

Como foi trabalhar com Chadwick Boseman?
Contracenei em algumas cenas com o Chadwick e foi muito bom. É um ator com alma, profissional e muito presente. Dá muito à outra pessoa. À medida que o universo cresce e se expande, a Marvel é muito consistente na escolha dos atores ideais para se juntarem à equipa. Ele foi adicionado a este grupo de uma forma grandiosa. É incrível e a sua presença no estúdio, aumenta a parada para todos.

Como foi filmar a cena da grande batalha entre os dois lados?
Foi surreal ter que encarar todos no asfalto. Houve alguns momentos nestes filmes em que foi necessário olhar em volta e perceber que se está em boa companhia. Estamos com o nosso fato vestido e prontos para lutar. Lembro-me de fazer o primeiro ‘Os Vingadores’ e reunirmo-nos todos em círculo e termos o nosso momento como heróis e isso aconteceu novamente em ‘Vingadores: A Era de Ultron’. Nesta cena senti-me num momento épico inacreditável, que se sabe que é realmente grandioso.

Gostou do seu fato?
O fato tinha muitas aplicações, mas era bastante simples. Agora, tem uma aparência uniforme e mais elegante. No passado foi útil. Desta vez está mais próximo das bandas desenhadas atuais, acho que os fãs vão gostar. Há algo nele que é básico e gosto disso. Não tem muitos detalhes. Mas na verdade nunca gostei tanto de vestir o meu fato como neste filme. Sou mais eu na minha roupa do dia-a-dia.

Gosta do aspeto mais sólido da sua personagem?
Acho que é apenas uma experiência diferente. Gosto do que vem com o aspeto civil. Há muitas cenas de combate corpo a corpo e com armas também, o que é sempre divertido. É como uma espécie de forma hiper-realista de lutar quando tenho o fato vestido. Parece diferente. É um sentimento diferente. Mas acho que não importa, pois o que faz estes filmes funcionar, esteja com o meu fato vestido ou com as roupas do dia-a-dia, quer seja Natasha ou a Viúva Negra, é que as personagens consigam manter a dinâmica das suas relações com todas as outras personagens, para que haja consistência. Quando se vê alguém a lutar num fato de super-herói e ainda assim se reconhece a pessoa, aumenta o interesse do público, o que fundamenta este tipo de filmes, mesmo que seja em locais ou com roupas inacreditáveis.

É uma dinâmica diferente?
Sim. Lutar contra o mal ou contra um alvo que permite criar estratégias, identificar e descobrir como ser mais inteligente é muito diferente do que lidar com as emoções dos amigos, experiências, expectativas e deceções. Acho que se tem de interiorizar muito mais.

Marvel's Captain America: Civil War Black Widow/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson) Photo Credit: Film Frame © Marvel 2016

Marvel’s Captain America: Civil War, Black Widow/Natasha Romanoff (Scarlett Johansson), © Marvel 2016

A Natasha passa por dificuldades de ambos os lados.
A minha personagem é provavelmente a única que experienciou ambos os lados. Por um lado, tem sido desviada pelo homem e pela queda desta grande operação secreta. Teve uma experiência com Fury e a S.H.I.E.L.D. e participou com o Capitão América. Mas, por outro lado, às vezes acho que percebe que eles não estão a fazer um bom trabalho na sua governação e é preciso haver uma organização maior para manter as aparências. E isso vai permitir a Os Vingadores terem mais espaço para atuarem e para concluírem as suas tarefas. Talvez não tenham de ser responsabilizados da mesma forma se atuarem separadamente. Consigo ver as vantagens de ambos os lados.

Como é ver Chris Evans a crescer neste papel?
Não consigo pensar noutra pessoa para interpretar este papel a não ser o Chris. É um papel muito difícil de interpretar, porque esta personagem tem uma forte orientação moral. É desafiante encontrar um conflito nessa situação. O conflito é o que faz das personagens interessantes. Mas Chris fundamentou a sua personagem com algo muito humano, uma espécie de saudade, um lamento, uma perda de identidade. Está a questionar as escolhas que foram feitas por si. E é aí que está o conflito. Ver Chris como ator e também como pessoa, a crescer com esta personagem e a ter uma compreensão mais profunda do que significa ser auto-reflexivo, é incrível. É sempre um prazer trabalhar com ele, é muito bom, porque as nossas personagens têm conseguido aprofundar a dinâmica da sua relação desta vez.”

O que é que a sua personagem acha de Steve Rogers?
Acho que Natasha espera que Steve também viva a sua vida pessoal e não apenas a sua vida profissional. É isso que quer para ele, porque acho que às vezes se revê nele, com todas as diferenças que estas personagens têm. Talvez não queira que ele viva com a mesma sensação de perda que ela tem.

Como foi trabalhar com os irmãos Russo outra vez?
Os Russo trazem um lado mais corajoso aos filmes do Capitão América. São muito consistentes. A forma como trabalham é muito prática e muito tátil. Tiraram o que não era preciso, o que é incrível, especialmente se tem um momento tão épico com tantas personagens.

Como foi trabalhar no cenário do aeroporto na Alemanha?
Sempre gostei de ir para outros locais. É divertido para mim. Cria uma ligação entre a equipa, enquanto todos estamos a enfrentar coisas que nos levam para fora da nossa zona de conforto e que por vezes são experiências difíceis, emocionantes e até estranhas. Gosto disso e foi divertido. Não tinha tido essa oportunidade no passado. Quando os filmes foram filmados na Coreia ou em algumas zonas de África, não tive a oportunidade de ir. E por isso, desta vez sinto que tive a minha experiência internacional.

Como é que o público vai receber este filme?
Acho que o conflito entre os dois lados é o que vai gerar motivo de conversa. Quando saírem do cinema, ainda vão poder argumentar por ambos os lados. Vão ter o que levar para casa. Construímos um caso para cada lado e as apostas tornam-se cada vez mais altas.