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Sente dificuldade em respirar com esforços ligeiros? Não ignore

Dificuldade em respirar

Cerca de 800 mil portugueses têm dificuldade em respirar. A Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica (DPOC) é a causa e costuma levar a internamentos frequentes, faltas ao trabalho e dependência de amigos e familiares. Com a vida pessoal, social e profissional afetada, muitos dos doentes acabam por isolar-se e sofrer de ansiedade e depressão.

Os sintomas costumam manifestar-se em constipações, bronquites e outras infeções respiratórias ou enquanto se praticam atividades físicas. No entanto, numa fase mais avançada, até os esforços ligeiros ou o simples ato de repousar podem tornar-se desconfortáveis e levar à morte.

O problema tem solução e chama-se reabilitação respiratória, mas apenas 1 a 2% dos utentes do Serviço Nacional de Saúde (SNS) beneficiam deste tratamento. Muitos nem sabem que estão doentes porque ignoram a tosse e a expetoração, além de várias outras limitações do próprio SNS.


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“A sensibilização dos profissionais de saúde para esta doença ainda não é ideal, bem como a sua capacidade para chegar ao diagnóstico, o que obriga a um maior acesso à espirometria, o exame de respiração que permite detetar a obstrução dos brônquios. A oferta de unidades de reabilitação respiratória também ainda é insuficiente por parte dos serviços de saúde”, explica ao Delas.pt a pneumologista Fátima Rodrigues.

Tabagismo é a principal causa da doença
É a partir dos 40 anos e em fumadores de longa data que normalmente a DPOC é diagnosticada. Durante os tratamentos através de reabilitação respiratória, os doentes são incentivados a praticar vários exercícios terapêuticos que os vão ajudando a lidar com a doença durante as atividades do dia-a-dia.

“Através de um melhor controlo da respiração e de uma maior capacidade para realizar o exercício, aliados a uma mudança de comportamento para hábitos de atividade física regular, os doentes tornam-se aptos a retomar muitas das tarefas e funções sociais e até profissionais, melhorando substancialmente a sua qualidade de vida”, sublinha a pneumologista do Hospital Pulido Valente.

Com a doença chegam também mais gastos. A DPOC obriga à compra de diversos fármacos e, numa fase mais avançada do problema de saúde, os doentes têm mesmo de ter um aparelho de ventilação em casa.

“Nestes casos, se os doentes tiverem um sistema de saúde diferente do SNS, terão que pagar uma parte dos custos associados a esta terapêutica. Todos estes custos diretos da doença têm assim um peso variável, mas sempre pesado para o erário familiar”, afirma Fátima Rodrigues.

Já com vários artigos publicados sobre a doença e o seu tratamento, Fátima Rodrigues tem chegado à conclusão que a DPOC é frequente em todo o mundo, mas pode ser evitada.

“Abandonar o hábito de fumar e ser fisicamente ativo são as duas mudanças de comportamento com maior impacto na saúde e no prognóstico dos doentes com DPOC”, acrescenta a especialista.

Cátia Carmo