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Sete em cada dez ‘escravos’ são mulheres e meninas

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Quarenta milhões de pessoas foram vítimas de ‘escravatura moderna’ no ano passado e as mulheres e as meninas são desproporcionalmente afetadas por esse flagelo. As pessoas do sexo feminino representam 29 milhões do total dos escravos modernos, ou seja 71% desse universo.

As conclusões são da Organização Internacional do Trabalho (OIT) e da fundação Walk Free, em associação com a Organização Internacional para as Migrações (OIM), que divulgaram dois relatórios sobre estes fenómenos.

Os resultados dos estudos agora apresentados, no âmbito da 72.ª sessão da Assembleia-Geral da ONU, revelam que as mulheres e raparigas são 99% das vítimas de trabalho forçado na chamada indústria do sexo e 58% noutros setores. Elas representam também 84% vítimas de casamentos forçados.

Dos 40 milhões de vítimas de escravatura moderna, 25 milhões foram submetidas a trabalho forçado e 15 milhões a casamentos forçados.

Apesar destas formas de escravatura ocorrerem em todas as regiões do mundo, são mais frequentes em África (7,6 em 1000 pessoas), seguindo-se a Ásia e o Pacífico (6,1 em 1000 pessoas) e, por último, a Europa e a Ásia Central (3,9 em cada 1000).


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Trabalho infantil diminui a ritmo lento
Os relatórios destacam que uma em cada quatro vítimas de escravatura moderna é uma criança e que o trabalho infantil é um caminho para essa realidade.

Em todo o mundo, cerca de 152 milhões de crianças trabalham, ou seja, uma em cada dez crianças. Metade delas, perto de 73 milhões, fazem-no em trabalhos perigosos que põem em risco a sua saúde, segurança e o seu desenvolvimento.

Apesar de o trabalho infantil ter diminuído entre 2012 e 2016, isso aconteceu a um ritmo mais lento que em períodos anteriores, salientam as organizações da ONU. A queda, nesse período, foi de 16 milhões, enquanto entre 2008 e 2012, a redução ascendeu aos 47 milhões, indicam os relatórios.

“Temos de mexer-nos com maior rapidez se queremos cumprir o nosso compromisso de acabar com o trabalho infantil em todas as suas formas até 2025”, admitiram as organizações.

Esse é, de resto, um dos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), no âmbito do qual foram apresentados estes relatórios. O objetivo 8.7. visa erradicar o trabalho forçado, pôr fim à escravatura moderna e ao tráfico de pessoas e garantir a proibição e eliminação das piores formas de trabalho infantil, incluindo o recrutamento de crianças para as transformar em soldados.

Os estudos relacionam o trabalho infantil com situações de guerra e desastres, sendo a incidência do fenómeno em países afetados por conflitos 77% mais elevada que a média global.

Atualmente, nove em cada dez crianças sujeitas a trabalho infantil pertencem às regiões de África e Ásia-Pacífico. Uma redução desse número apenas em África, onde se concentram 72 milhões das crianças exploradas, significaria uma redução nos números globais.

Os relatórios salientam também que um grande número das crianças submetidas ao trabalho infantil se encontra fora do sistema educativo: no grupo entre os cinco e os 14 anos, há 36 milhões de crianças que trabalham e não estão escolarizadas, conclui o documento.

 

AT com Lusa

Imagem de destaque: Shutterstock