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‘Shakira’ do Curdistão usa a música como arma de guerra

Helly Luv é conhecida Shakira do Curdistão

Chama-se Helly Luv, é curda e canta contra o Estado Islâmico. E a sua exposição mediática, com apelos constantes à luta contra o jihadismo, tornou-a um alvo a abater pelos terroristas.

Tanques, tiros, choro e gritos. O início do vídeo que ilustra a música ‘Revolution’, de Helly Luv, não será muito diferente do cenário que milhares de pessoas enfrentam nas regiões controladas pelo autoproclamado Estado Islâmico (EI). São, de resto, essas as situações que pretende ilustrar e contra as quais a artista, uma curda de 27 anos, incentiva a lutar. Do alto dos seus ‘stilettos’ dourados, irrompe no plano a cantar “together we can survive” ou, em português “juntos podemos sobreviver”. E é isso que pede, que todos se unam e combatam o EI, sem medo. Um apelo que a tornou um alvo a abater pelos terroristas.

A diva curda da música pop combate os princípios jihadistas, reforçando a ideia de que o Estado Islâmico “é um inimigo do mundo”.

Mas não é a ameaça constate que a cala. Através da música ou das palavras, em entrevistas dadas um pouco por todo o mundo, a diva curda da música pop combate os princípios jihadistas, reforçando, como fez com o vídeo ‘Revolution’, que mais do que um inimigo dos curdos, o EI “é um inimigo do mundo”.

Com mais de 3,5 milhões de visualizações no Youtube, este vídeo apela a essa mesma luta. Gravado em pleno cenário de guerra numa localidade iraquiana quase vazia, a apenas três quilómetros da linha de fogo do EI, contou com a participação de soldados curdos que, findas as gravações, regressaram à batalha.

Helly Luv tem a cabeça a prémio. Por saber dos riscos que corre, a Shakira do Curdistão nunca divulga a sua localização exata.

Nascida em Urmia, no Irão, num campo de refugiados curdos iranianos, em plana guerra Irão-Iraque, a família daquela que foi apelidada pelos media internacionais como Shakira do Curdistão, fugiu, tinha ela dois anos, em direção à Finlândia, onde Helly passou a sua infância e adolescência. Aos 18 anos, o talento que Helen Abdulla (o nome de batismo) acreditava ter, fruto de anos de aulas de música, fê-la rumar a Los Angeles, nos Estados Unidos, onde a nasceu a sua carreira. Hoje, conquistou o reconhecimento um pouco por todo o mundo. Fãs não lhe faltam e embora o glamour seja presença constante na sua vida, reforça que é a defesa do seu povo, os curdos, e de um Curdistão independente, assim como a luta contra o EI, que a movem.

Sabe dos riscos que corre. E sabe também que tem a cabeça a prémio. É um dos nomes na lista negra dos terroristas, pelo que evita frequentar lugares públicos e não divulga a sua localização exata, embora seja presença constante nas redes sociais.

Com um lugar na lista dos cem pensadores mais importantes do mundo, cortesia da revista Foreing Policie, e com planos para o lançamento de um disco em junho do próximo ano, a cantora promete continuar a dar voz ao povo curdo. E não coloca de lado a hipótese de lutar diretamente contra os extremistas.

Carla Marina Mendes