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O Coração Partido é mesmo um problema de saúde

Quando um coração apaixonado dá lugar a um coração partido, as consequências podem ir além das esperadas. À tristeza de um desgosto de amor, é provável juntarem-se perturbações psíquicas ou até marcas físicas no coração, diz a ciência.

O fim de uma relação amorosa nunca é fácil, nem simples diria, independentemente da idade. Podem surgir sintomas físicos de diminuição de energia, apatia, dificuldade em retomar atividades rotineiras, alteração do apetite e do padrão de sono”, afirma a Maria Laureano, Pedopsiquiatra da UPPC (Unidade Psiquiátrica Privada de Coimbra), num artigo de opinião da Instituição.

Cientificamente, um coração partido é uma Miocardiopatia de Takotsubo.

Sintomas que, de acordo com a especialista, podem ser apenas transitórios ou assumir contornos patológicos, originando perturbações do sono, de ansiedade, episódios depressivos ou comportamentos autolesivos. Problemas de saúde por vezes ignorados, dando-se mais atenção a questões sexuais: “Não é raro focarmos a atenção na sexualidade. Talvez por se manifestar primeiro. Talvez por ter consequências sentidas como perigosas (doenças sexualmente transmissíveis, uma gravidez indesejada). A verdade é que, as consequências emocionais podem ser igualmente perigosas”.

Por isso, “é importante educarmos para os afetos. São estes que nos ligam ao outro e que sustentam o mundo de relação”.

Coração Partido, literalmente

Na década de 90, a ciência passou a admitir ser possível morrer de amor, sobretudo se se for mulher. De acordo com estudos anteriores, cerca de 90% dos portadores da Síndrome de Coração Partido é do sexo feminino, entre os 58 e os 75 anos, de acordo com a Harvard Medical School.

Cientificamente, um coração partido é uma Miocardiopatia de Takotsubo. Uma síndrome descoberta no início dos anos 90, no Japão, que consiste no aparecimento de mazelas no músculo cardíaco após passar por situações com elevados níveis de stress emocional. “Pode ser a morte de um ente querido ou mesmo um divórcio, separação ou separação física, traição ou rejeição romântica. Pode acontecer depois de um bom choque (como ganhar a lotaria)”, refere a American Heart Association. O resultado é menos elasticidade no músculo cardíaco, provocando um enfraquecimento do ventrículo esquerdo e comprometendo o bombeamento do coração.

Ao contrário de um ataque cardíaco, na Síndrome do Coração Partido não há evidências de artérias bloqueadas

E não há gelados, chocolates ou bolachas que consertem este coração partido, garante um estudo da Universidade de Aberdeen, no Reino Unido, publicado no Journal of the American Society of Echocardiography, em junho de 2017.

Depois de quatro meses a acompanhar e a analisar exames de ressonância magnética e de ultrassonografia cardíaca de 52 pessoas, diagnosticadas com Síndrome de Coração Partido, os investigadores aperceberam-se da presença de pequenas cicatrizes no coração. Mazelas que podem ser permanentes ou difíceis de curar.

Por vezes, a Síndrome do Coração Partido pode ser diagnosticado como ataque cardíaco, porque os sintomas e os resultados dos exames são parecidos: “os testes mostram mudanças dramáticas no ritmo e nas substâncias sanguíneas, algo típico de um ataque cardíaco. Mas, ao contrário de um ataque cardíaco, na Síndrome do Coração Partido não há evidências de artérias bloqueadas. Apenas uma parte do coração aumenta temporariamente e não bombeia bem, enquanto o resto do coração funciona normalmente ou com contrações ainda mais enérgicas. Os pesquisadores começam agora a averiguar as causas, e a procurar como diagnosticar e tratar a síndrome“, segundo a American Heart Association.

[Imagem de destaque: Shutterstock]

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