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Theresa May pode ser a próxima primeira-ministra britânica

A vitória do Brexit já provocou várias baixas políticas de peso no Reino Unido. À demissão do primeiro-ministro David Cameron, que fez campanha pelo “Remain” (permanência), sucedem-se agora as saídas de cena de dois dos principais rostos a favor da saída (“Leave”).

Nigel Farage demitiu-se esta segunda-feira da liderança do UKIP, enquanto Boris Johnson disse, no final da semana passada, que não iria disputar o lugar deixado vago por Cameron no Partido Conservador e, consequentemente, o cargo de primeiro-ministro. E é nesses últimos que se centra, para já, o futuro da Direita britânica, que poderá voltar a ter uma mulher na liderança do seu principal partido, 26 anos depois de Margaret Thatcher.

Theresa May, de 59 anos, é a favorita para disputar a liderança dos Conservadores (“Tories”), segundo revela uma sondagem publicada, este domingo, no ‘The Sun’. A atual ministra do Interior surge destacada dos restantes quatro candidatos ao cargo, conquistando 60% dos militantes conservadores.

O segundo lugar pertence ao ministro da Justiça, Michael Gove, que, no entanto, apenas consegue 10%. Logo a seguir aparece a secretária de Estado da Energia, Andrea Leadsom, com 6%, o dobro das intenções de voto do ministro do Trabalho, Stephen Crabb, e do ex-ministro da Defesa, Liam Fox, que se ficam pelos 3%.

Além do universo de votantes dos “Tories”, Theresa May é também a candidata que mais apoio reúne dentro do aparelho partidário (104 dos mais de 300 deputados Conservadores), ao qual caberá a palavra final na eleição do novo líder e candidato do partido a primeiro-ministro.

Disputa feminina?
O primeiro escrutínio está marcado para esta terça-feira e o candidato menos votado será o primeiro a ser eliminado da corrida, seguindo-se outras votações até se chegar aos dois candidatos finais. Um deles será depois escolhido, pelos militantes do partido, como novo líder do Partido Conservador e anunciado a 9 de setembro.

De acordo com a sondagem do ‘The Sun’, os candidatos em melhores condições para disputar o favoritismo de Theresa May – ainda que muito afastados nas intenções de voto – são Michael Gove e Andrea Leadsom. Mas o ministro da Justiça tem sido alvo de críticas nos últimos dias por ter retirado o seu apoio ao então candidato Boris Johnson, o que poderá prejudicar a sua campanha e deixar a porta aberta para Leadsom avançar na corrida.

Andrea Leadsom (EPA/ Sean Dempsey)

A secretária de Estado da Energia, que apresentou a sua candidatura, esta segunda-feira, foi, tal como Gove, uma defensora fervorosa do Brexit e durante o seu discurso afirmou que as negociações com a União Europeia devem ser rápidas para evitar incertezas.

O tema da imigração não foi esquecido e Andrea Leadsom voltou a defender o controlo da entrada de estrangeiros no país. Porém, foi mais longe que May nas garantias prometidas aos imigrantes que já vivem e trabalham no Reino Unido, dizendo que não os usará como “moeda de troca” em nenhuma negociação.

A secretária de Estado de 53 anos respondia assim às declarações feitas, este domingo, pela ministra do Interior, numa entrevista ao canal de televisão ITV. Apesar de sustentar que a situação dos imigrantes residentes não vai mudar com o Brexit, Theresa May avisou que essa garantia só pode ser dada depois das negociações com Bruxelas.

Ao contrário de Leadsom e de Gove, a ministra do Interior apoiou, como Cameron, a permanência do Reino Unido na União Europeia e, ainda que os seus opositores mais diretos queiram trazer as posições sobre o referendo de 23 de junho para a disputa da liderança dos Conservadores, a sondagem do ‘The Sun’ mostra que no pós-Brexit as preocupações dos eleitores são outras.

59% dos inquiridos consideram que não é necessário que o próximo primeiro-ministro tenha apoiado o Brexit, desde que consiga defender os interesses dos cidadãos britânicos nas negociações com a UE. Por outro lado, 67% refere que a principal prioridade do sucessor de David Cameron deve ser a estabilidade económica, contra 28% que defendem o foco na imigração.

Theresa May parece ser, aos olhos dos “Tories”, a candidata mais bem preparada e habilitada para responder a essas preocupações. Com uma vasta experiência política, a ministra é a favorita nos diferentes segmentos do eleitorado conservador conquistando mulheres e homens e superando os outros candidatos em todas as regiões do Reino Unido.


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Imagem de destaque: EPA/Andy Rain

 

 

Ana Tomás