Tribunal indiano condena líder de seita por violação e seguidores causam 12 mortos

Em 2014, dos 338 mil crimes contra mulheres cometidos na Índia, 36 mil foram violações [Foto:Rupak De Chowdhuri/Reuters]

Tumultos na cidade de Panchkula, no norte da Índia, deixaram hoje pelo menos 12 pessoas mortas e edifícios em chamas, após um tribunal ter condenado o líder de uma seita por violação, segundo a polícia e um médico.

A polícia utilizou canhões de água para tentar dispersar a multidão, que se tinha concentrado junto ao tribunal onde Gurmeet Ram Rahim Singh foi condenado por violar duas das suas seguidoras em 2002.

A violência já causou 12 mortos e mais de 100 feridos, disse V.K. Bansal, médico-chefe no hospital estatal de Panchkula.

A multidão também incendiou edifícios governamentais e atacou a polícia e jornalistas, danificando carrinhas de televisões e equipamento de transmissão.

A polícia disse que a violência surgiu em vários locais, também no Estados do Punjab, vizinho do de Haryana, onde se situa a cidade de Panchkula. Duas estações de comboio, nas cidades de Malout e Balluana, foram incendiadas.

O tribunal da Índia condenou o líder de uma seita religiosa por violar duas das suas seguidoras, uma decisão que levou à revolta de apoiantes que atacaram os jornalistas que estavam do lado de fora do tribunal.

“O tribunal da cidade de Panchkula anunciou a condenação, a 15 anos de prisão, do líder de uma seita, que se chama a si mesmo de santo doutor Gurmeet Ram Rahim Singh Ji Insan”, segundo o procurador H.P.S. Verma.

O procurador também disse que a sentença será confirmada na segunda-feira e que o líder religioso será levado para a prisão central da cidade de Rohtak. De acordo com Verma, o caso remonta a 2002, quando o guru teria violado duas das suas seguidoras.

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Pouco depois de anunciada a condenação do guru, a multidão revoltada atacou os jornalistas e os carros dos meios de comunicação social que estavam estacionados no lado de fora do tribunal, inclusivamente partindo os para-brisas.

As autoridades, temendo uma onda de violência, anunciaram que mais de 15 mil polícias e soldados indianos estão a patrulhar as ruas.

Este caso está a ser julgado num tribunal especial dirigido pela principal agência de segurança da Índia, o Escritório Central de Investigação.

A seita em causa, Dera Sacha Sauda, divulgou ter cerca de 50 milhões de seguidores e fazer campanhas de vegetarianismo e contra a dependência de drogas. Também assumiu causas sociais, como a organização dos casamentos de casais pobres.

Este tipo de seita tem inúmeros seguidores na Índia. Não é incomum que os líderes tenham pequenas milícias privadas e fortemente armadas, para os proteger.

Cerca de 100.000 dos seus seguidores acamparam durante à noite em parques, praças e nas ruas da cidade, um subúrbio residencial tranquilo de Chandigarh, que é a capital comum dos estados de Haryana e Punjab.

A polícia criou barricadas com cancelas de metal revestidas com arame farpado ao longo das principais ruas na cidade, bloqueando ainda a rua que leva ao tribunal.

Oficiais a cavalo supervisionavam as multidões que estão próximas do tribunal.

Escolas estão fechadas, os serviços de comboios foram cancelados, atrasando todo o tráfego ferroviário no norte da Índia.

Os serviços de internet e telemóveis não estão a funcionar naquela zona a pedido do Governo.