Vem aí a barbearia que quer lutar pela igualdade de género

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A atriz Emma Watson, 27 anos, fundou o movimento #heforshe há três, completados esta quarta-feira, 20 de setembro. A ativista portuguesa Carolina Pereira (23 anos), de mãos dadas com o ator José Fidalgo, trouxeram-no para Portugal há menos de um.

Ao Delas.pt, a fundadora da filial lusitana faz o balanço desta viagem a dois tempos e revela o que o movimento está a preparar, dentro de fronteiras, para breve e para o próximo ano. Comecemos, então… pelo fim.

Carolina Pereira, embaixadora do HeForShe com o propósito de implantar a organização em Portugal [Fotografia;: Instagram]

O que é o que o #heforshe Portugal está a preparar a breve trecho e para 2018?

Vamos ter uma palestra em novembro com grandes empresas como a Coca Cola e a consultora PwC [Pricewaterhousecoopers] na qual vamos perceber como é que a igualdade de género se pode fomentar dentro de uma empresa e como essa mesma igualdade está relacionada com produtividade e com o melhor ambiente dentro da empresa.

E como é que José Fidalgo (38 anos) tem participado neste movimento?

Ele tem acompanhado tudo, ele está a par de tudo. Temos estado a consolidar as equipas em cada uma das cidades em que estamos presentes: Lisboa, Porto, Évora e Faro. Estamos com uma estratégia mais alinhada a nível nacional, e ele tem sempre dado opinião. Neste momento, temos o em curso o programa Impact10x10x10 e a pensar o que seria melhor trazer primeiro para Portugal, em termos estratégicos.

E o que é que aí vem?

A iniciativa Barber Shop [barbearia em tradução literal, o plano passa por mobilizar rapazes e homens para a igualdade de género e de como, através de comportamentos, podem levar a uma mudança positiva] é, provavelmente, a próxima a chegar a Portugal. O José Fidalgo vai ter um papel importante e deverá ter início em 2018 [conheça a iniciativa aqui, embora esteja apenas ainda disponível em inglês]

Que balanço destes três anos desta iniciativa internacional?

Eu só fiz parte do #heforshe no último ano. Tem sido um movimento que tem crescido de forma muito orgânica e de forma que faz jus ao que se está sempre a pregar, ou seja, de ser um programa de pessoas para pessoas. O primeiro ano foi o período de criar consciencialização e de espalhar a palavra. No segundo ano, chegou o plano Impact10x10x10, que tem a vantagem de ser mensurável e de ter objetivos muito concretos e sérios que envolvem universidades, governos e empresas. Neste terceiro ano, nasceram os novos produtos como o Barber Shop – workshops de homens para homens – e o Ideathon – [maratona de ideias, em tradução livre] um evento de dois a três dias para gerar ideias e resolver problemas relacionados com desigualdade de género num local muito específico.

links_LadyGagaQuando fala em orgânico, o que é que tal significa numa estrutura como o #heforshe?

Localmente, as pessoas tomam uma determinada iniciativa e, se se percebe que resulta, ela é encaminhada para um nível internacional, é sistematizada e tipificada para se espalhar a nível mundial. E isto é uma maneira muito orgânica de crescer. Estão a dizer-nos para tomarmos o movimento nas nossas mãos, as ideias são propostas pelas pessoas e possivelmente alargadas, fazendo com que se trate de um movimento e não de uma organização.

Há já alguma iniciativa que tenha começado em Portugal e tenha chegado a um nível mais global?

Ainda é cedo, ainda temos pouco tempo de existência. Creio que após este primeiro ano [a apresentação de José Fidalgo pelo #heforshe foi em março de 2017] possamos começar a trabalhar mais nisso. Vamos fazer, em breve, um retiro nacional para – com as equipas todas juntas – delinear uma estratégia nacional do que vai ser, então, o nosso primeiro ano oficial, a começar em finais de outubro ou no início de novembro. Mas temos desenvolvido já inúmeras iniciativas.


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Como por exemplo?

As conversas com as empresas no âmbito do programa Impact10x10x10 já são reflexo disso. Já existem empresas e várias universidades com compromissos assinados com o #heforshe, como por exemplo o ISCTE-Instituto Universitário de Lisboa, a Nova, a Universidade do Porto e a do Algarve para conseguir fazer valer esses compromissos.

E que compromissos são esses?

Podem passar por candidaturas, em que o género da pessoa que se propõe só é revelado no final do processo, promover – como no caso do ISCTE – a elaboração de mais estudos sobre a igualdade de género, mais bolsas. Passa por conseguir criar uma maior consciencialização dos alunos com a elaboração de eventos e de mais campanhas por ano, por rever alguns processos de candidaturas a bolsas.

E ao nível das empresas, o que está a ser feito?

A Pwc já assinou o compromisso a nível internacional, mas no âmbito do qual também trabalhamos com eles num plano nacional. Agora, quando recrutaram os chamados new joiners e os levaram para uma semana de formação, que decorreu ao mesmo tempo em Lisboa e no Porto, dedicaram uma manhã à igualdade de género e em parceria com a #heforshe. Pela promoção de boas políticas e hábitos nessa matéria, pela formação, pela consciencialização e pela organização de mais eventos dessa natureza, na empresa.

E por cá, que balanço faz?

Nem sequer temos um ano, mas já existe uma equipa nacional espalhada pelas várias cidades. No Porto, o lançamento foi feito há poucas semanas e contou com a presença de todos os candidatos da câmara para falar sobre coo implementariam a igualdade de género. A nossa missão tem sido a de estabilizar o movimento em Portugal.

E o que resultou em concreto desse debate?

Todos os candidatos à autarquia assinaram um compromisso com o #heforshe em como iriam trabalhar e promover a igualdade de género na câmara, uma vez eleitos. Cada um deles falou de medidas concretas e o que cada um deles iria fazer medidas muito concretas. Foi um movimento único levado a cabo pela equipa do Porto.


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N.R: Nesse debate, no qual o atual presidente e recandidato Rui Moreira não esteve presente, Ilda Figueiredo, da CDU, afirmou que queria transpor a igualdade da “lei para a vida”. O BE, por via do deputado João Teixeira Lopes, propôs a introdução de quotas nas empresas municipais por forma a lutar contra o impedimento da “chegada das mulheres aos locais mais cimeiros”. Uma sugestão feita pelo Bloco ao candidato do PS e que Manuel Pizarro parece ter acatado. Já Álvaro Almeida, pelo PSD, considerou que o tema já não deveria estar em discussão uma vez que já deveria ser aceite por todos os seres humanos.

Imagem de destaque: Brendan McDermid/Reuters

@delas.pt