Violação foi o crime violento que mais aumentou em Portugal

A criminalidade violenta diminuiu em 2017, mas o número de violações registadas aumentou em 21,3% refere o Relatório Anual de Segurança Interna (RASI).

No ano passado, foram reportados às autoridades 408 crimes de violação, mais 73 que em 2016 (nesse ano foram 335). Este é o valor mais alto registado nos relatórios de segurança interna desde 2010.

Fonte: RASI 2017

No âmbito dos crimes sexuais, 18,7% dos inquéritos iniciados disseram respeito a violações. Foram 53 os detidos por este crime, todos dos sexo masculino, indica o relatório.

Nesse grupo de ocorrências, a maioria diz respeito ao abuso de menores (98 detidos), seguindo-se as violações (53) e a pornografia infantil (34).

No que respeita ao crime de violação, o relatório destaca ainda que os arguidos são masculinos (99,2%) e as vítimas maioritariamente femininas (90,7%).

A maioria das vítimas tem idades entre os 21 e os 30 anos (22,7%) e 16 e os 18 anos (19,2%). Já os arguidos tem maioritariamente entre 21 e 40 anos (50,8%).

A maioria dos casos de violação ocorre entre conhecidos (37,7%), ainda que logo a seguir surjam os desconhecidos (31,%). Em terceiro lugar, estão os familiares (17,6%).

Segundo o relatório, houve ainda cinco detidos por coação sexual e um por importunação sexual, também do sexo masculino.

Ao todo houve 15.303 participações de crimes graves e violentos no ano passado, o que, nota o relatório do Ministério da Administração Interna, corresponde a uma diminuição de 8,7% do número de participações – menos 1.458 que em 2016.

Os casos de ofensa à integridade física voluntária grave também aumentaram, em 12,1%, cifrando-se em mais 63%.

Violência doméstica desce ligeiramente

No que respeita ao crime de violência doméstica, o RASI indica uma ligeira descida no número de participações, correspondente a 1,1%. Foram registados 26.713 casos de violência doméstica em 2017.

A esmagadora maioria das agressões é cometida, pelo sexo masculino sobre o sexo feminino: 79% das vítimas de violência doméstica foram mulheres, com idades superiores a 24 anos (78,4%). 83,8% dos acusados são homens, com idades a partir dos 25 anos (93,9%). As maioria das agressões continuou a ser praticada pelo cônjuge (53,3%), seguida pelo ex-cônjuge ou companheiro (17,2%). No conjunto, as agressões resultantes de relacionamentos amorosos representam 70,5%.

O relatório destaca que a maioria das ocorrências verifica-se ao fim de semana (18% ao domingo e 16% ao sábado), seguido da segunda-feira, com 14%. Cerca de 72% dos casos acontecem entre as 13h e as 24h.

Lisboa (6303), Porto (4629), Setúbal (2327), Braga (1838) e Aveiro (1698) são os distritos onde se verificam mais ocorrências, mas as taxas de incidência mais elevadas continuam a registar-se nos Açores (4,3) e na Madeira (3,9).

APAV reporta 14 mulheres vítimas por dia em 2017