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Volta ao mundo em família: Kyushu

Há uma ilha plantada no lugar onde o Mar do Leste da China encontra o Oceano Pacífico. Uma ilha que acorda todos os dias ao som da música Edelweiss. Uma ilha-poema, saída de uma história de Sophia de Mello Breyner Andresen, tal como a Mia conta no vídeo desta semana.

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Depois da neve em Quioto seguimos para o clima bem mais ameno da ilha de Kyushu, no Sul do arquipélago do Japão. A primeira paragem foi na cidade de Kagoshima, terra do gigante Sakurajima, um dos vulcões mais ativos do Japão e do mundo que sempre que lhe apetece faz questão de marcar presença soltando fumo e cinzas pela baía. Ou seja, quase todos os dias.

Apesar do “mau feitio” do vulcão, em Kagoshima viemos conhecer um Japão mais relaxado, quase tropical até, com uma população que tem fama de ser “a mais simpática do país”.

Qualquer um pode achar um perigo ter um vulcão ativo mesmo ao pé de casa mas a população convive tranquilamente com este vizinho. O que muda nas rotinas diárias é a particularidade do boletim meteorológico da cidade incluir uma previsão para a intensidade das cinzas e, sempre que o vulcão esteja mais ativo, é recomendado usar um guarda-chuva. E, claro, não vale a pena lavar o carro ou ir ao cabeleireiro nesses dias…

Prestada a devida homenagem ao vulcão todo-poderoso, seguimos de barco para Yakushima, uma ilha pequenina com árvores gigantes, classificada como património da Humanidade pela UNESCO. Encontrámos um cenário de florestas encantadas, cascatas abundantes, pontes que atravessam riachos, chuva exuberante que cai a toda a hora para acarinhar uma vegetação densa. “Chove oito dias por semana em Yakushima”, orgulham-se os locais. Chuva que regenera e faz acontecer por todo o lado uma explosão de verdes: verde-esmeralda, verde-floresta, verde-musgo, verde-jade, verde-chá, e cedros milenares, que já “viram” de tudo na história do mundo. Um deles, o mais antigo, o tesouro mais bem guardado, chama-se Jomon-sugi e estima-se ter entre dois e sete mil anos. Os japoneses dão nome às árvores, protegem, respeitam e acarinham estes gigantes adormecidos que têm como companheiros de vida grupos de veados e de macacos que se passeiam entre eles.


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Para ajudar à fábula, esta ilha acorda todos os dias ao som da canção Edelweiss, nome da flor branca dos Alpes que ficou famosa no filme Música no Coração. O Japão, sempre tão fustigado por desastres naturais, vive em alerta. E assim, em quase todas as cidades japonesas existe um serviço de gestão de desastres para informar as populações em caso de emergência, particularmente tsunamis, erupções vulcânicas, sismos, interrupção do serviço de ferries por causa do mau tempo. As “hostilidades” informativas em Yakushima abrem com a canção austríaca – cada localidade tem a sua própria escolha musical.

Foi também nesta ilha-poema, bem longe do lado mais futurista e tecnológico que associamos ao Japão, que a Mia fez uma amiga. Juntas teceram uma amizade luso-nipónica selada a origami, a secular arte japonesa de trabalhar o papel. Na despedida trouxe uma flor, presente da amiga japonesa que mora na ilha que acorda ao som de Edelweiss e que a Mia levou bem segura na mão no regresso de Yakushima, enquanto navegava no lugar onde o Mar do Leste da China encontra o Pacífico.

E aqui termina a nossa aventura por terras do Sol nascente. Para a semana será a cosmopolita e multicultural Singapura que nos recebe.

Joana Simões Piedade