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#BestFriendsForever

E num telefonema, numa mensagem, junta-se tudo. Com muitos deles, quase um ano depois da última vez.

São os amigos. Os que sabem tudo sobre nós. Os que vivem de perto os momentos bons, e ainda mais de perto os outros, os menos bons. Os que perguntam sempre como estamos, apesar de saberem de cor se estamos bem ou mal só de olharem para nós. Os que acabam as nossas frases. Os que deliram com as nossas piadas parvas e respondem com outras, ainda mais parvas. Os que nos defendem até ao fim. Os que nos colocam no trilho de novo, a bem ou a mal, se sentirem que nos desviámos daquilo que sabem que temos cá dentro.

É a que chega com a notícia “vão ser gémeos”, ao mesmo tempo que olha para os dois rapazes que já tem. E que acrescenta, a rir, “e são mais dois miúdos, imagina!”

É a nossa artista preferida, que traz sempre com ela um presente único, criado por si, que encaixa na perfeição no gosto de quem o recebe.

É a “espanhola”, que é tão portuguesa como nós, mas que viveu por lá alguns anos, e com quem recordamos sempre aquele passeio de carro em que desancou um condutor na língua rápida que os caracteriza, sem se engasgar.

É a lutadora que nos serve de exemplo, porque todos os dias desafia o destino quando teima em viver e ser feliz, mesmo depois da traição de uma doença chata.

É o que foi nosso professor, e que não tardará em tornar-se professor da geração seguinte.

É a que partilhou tanto e durante tanto tempo a nossa vida por ter namorado com um familiar que, quando o deixou, manteve o estatuto de “prima”.

É a colega de escola que reentrou na nossa vida há alguns anos, e que faz qualquer festa brilhar ainda mais.

São os que passam connosco tantas horas no escritório que já fazem parte “deste” lado.

São os de sangue que nunca arredam o pé e se mantêm por perto, mesmo contra marés contrárias.

São os de sempre e os de agora. Somos muitos e somos diferentes.

Temos vidas sobrelotadas, desencontradas, desenfreadas, andamos sempre a correr para cima e para baixo. Poucas são as vezes em que nos conseguimos encaixar uns nos outros. Mas, quando isso acontece, enchemos salas e esplanadas de gargalhadas sem filtros e barulhentas. Damos abraços demorados e beijos apertados. O que está lá para além disto, nem reparamos.

Ajudam as redes sociais que, apesar de tudo, nos “juntam” em alguns momentos e nos permitem acompanhar o que vai acontecendo. Mas estarmos presentes, frente a frente, mesmo, quase só de ano a ano. O que, olhando para nós, quando isso acontece, ninguém diria. Porque nada parece ter sido interrompido. É o conforto de quem nos acompanha. Mesmo que, por vezes, pareça que o faz de longe.

São mesmo os amigos. Os tais que recebem aquela mensagem, ou aquele telefonema, e que a única pergunta que fazem é “onde e a que horas?”.