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Inês Caleiro: “Tenho o prazer de fazer parte de uma indústria que não é elitista ou sexista”

As formas arquitetónicas e geométricas e as cores vibrantes são a imagem da marca nacional de calçado feminino que, desde 2010, dá estilo ao andar. De São João da Madeira para o mundo, há razões de sobra para este ano ter sido distinguida com o prémio de sonho, do Dream Award. A criadora? Inês Caleiro, designer de 32 anos que, após terminar o curso no Instituto de Artes Visuais, Design e Marketing ( IADE), em Lisboa – cidade onde nasceu –, rumou a Londres, onde fez uma pós-graduação em Design de Moda no London College of Fashion tendo, depois, sido convidada a estagiar, durante seis meses na talvez mais famosa marca de calçado da atualidade, a Jimmy Choo. Seguiu-se Washington D.C. no roteiro das viagens de trabalho, desta vez, na área de mobiliário de luxo enquanto, em casa, desenhava esboços de sapatos. Hoje, a fundadora e criadora, que vive entre Portugal e a Noruega, tem, em Oslo, o atelier e o showroom de um nome a fixar: Guava.

A Guava é a marca com mais estilo do mundo ou não tivesse ganho o Dream Award em Xangai em janeiro deste ano. Há muito que ansiava pela concretização deste sonho ou terá realizado o sonho de alguém?
Este prémio foi, sem duvida, extremamente gratificante, e ser a única portuguesa no grupo dos vencedores torna-se de facto um sonho tornado realidade. O reconhecimento do trabalho desenvolvido na Guava é um dos pontos altos do que faço. Este prémio foi muito mais do que uma conquista pessoal; é, acima de tudo, a recompensa de todo o empenho e árduo trabalho que todos os dias dedico.
Um mês depois estava nomeada para a categoria de Melhor Guarda-Roupa no International Film Fest 2016, em Londres, pela longa-metragem ‘The 21st Door’. Como recebeu esta notícia?
Foi uma excelente forma de começar o ano 2016. O prémio Dream Award e a nomeação para o Melhor Guarda-Roupa transformaram o início do ano com um selo de reconhecimento que nos enche o coração. Todos os projectos em que a Guava participa são, sem dúvida, participações de corpo e alma e, quando recebemos notícias destas, sentimos que tudo vale a pena.
Apesar da boa nova ter ficado pela nomeação, a Inês seguiu em frente no caminho calcorreado pela Guava. Como “corre” o seu ofício neste universo do design de moda cujo reconhecimento é notório além fronteiras?
O projeto Guava tem sido um projeto de vida, ao qual me dedico inteiramente. A internacionalização sempre fez parte dos meus horizontes e tem sido fantástico receber todas estas notícias de reconhecimento internacional, às quais estou extremamente grata. Todos os dias trabalho para criar algo com a máxima qualidade, design e requinte, e é isso que dedico a maioria das horas do meu dia-a-dia. Toda a gestão de uma marca exige atenção, dedicação e muita paixão. Sempre acreditei que todos estes fatores juntos trazem histórias de sucesso.
Dominada tanto por homens como por mulheres, a indústria do calçado tem despertado um crescente interesse dentro e fora de portas. Quem vence neste braço de ferro?
Tenho o prazer de fazer parte de uma indústria que não é elitista ou sexista. O trabalho e a qualidade são os fatores que prevalecem e que se denotam. Já foi o tempo em que a indústria era conservadora, apesar de ainda vivermos no rescaldo desse conservadorismo, sinto que a indústria ganha força e peso pela qualidade e pelo design que se têm vindo a notar cada vez mais nas marcas.

Assim, ganham também os portugueses cujo estilo no andar registou mudanças profundas nos últimos anos. A que se deveu a tão grande reviravolta nos pés?
A indústria do calçado tem crescido a olhos vistos e as marcas que têm surgido estão a trazer frescura e novidade. É importante que a indústria tenha renascido e revelar o melhor que fazemos em Portugal – não só é um orgulho para mim enquanto designer ver que as marcas se estão a impor no mercado, mas é também um orgulho ver que os portugueses apostam cada vez mais no made in Portugal. Acredito que esta reviravolta surge por um reflexo do que se sente na economia. Procuramos cada vez mais apoiar e apostar o que é português e estamos cada vez mais recetivos a novas ideias, a um novo estilo, e em acompanhar novas tendências.

A arquitetura e a geometria formam o par ideal em consonância com o design de cunho 100 por cento português. Podemos dizer que assim é com a Guava?
Sem dúvida! A Guava é pura arquitetura e geometria, e orgulhosamente portuguesa. É esse o lema que defendo e mostro ao mundo.

O que vamos calçar nesta Primavera e no Verão que se avizinha, e que cores irão dar alento ao nosso andar?
Este verão vai estar pautado com cores suaves e pastéis. Os verde água, os rosa topázio vão estar presentes e são uma aposta para esta Primavera/Verão.

Que sapatos gosta de levar nas suas viagens?
Em viagens gosto de ser prática e estar elegante ao mesmo tempo. Uso essencialmente os modelos Layer e Nucleus da Guava.

Patrícia Serrado