Anos 80 de volta. Na moda já sabíamos. E na decoração, também?

Para muitos de nós os anos 80 são o expoente máximo de felicidade e bem-estar. Para já, éramos tão novos, magros e belos à época… Em termos de marketing, somos agora o alvo ainda perfeito para quem nos quer fazer gastar dinheiro, não é amigos das agências de publicidade? Colocada entre uma camada jovem desempregada e os idosos com reformas mais ou menos curtas, sobra toda a classe de gente que dos anos 80 tem uma memória calorosa, feliz e saudosa. E que querem de qualquer forma voltar para lá.

Pintávamos os cabelos de negro azeviche ou descolorávamo-los com água oxigenada, os ombros dos casacos não cabiam em portas normais e por isso só conseguíamos entrar no Frágil de lado, nas noites em que ora Margarida ora Inês não nos arrasavam com um “só para clientes habituais”.

Dizem-nos que a moda dos oitenta, que tem vindo pé-ante-pé – ou melhor, ombros de fora-ante-saia-de-ganga-ante-leggings-fluorescentes – terá em 2017 o seu pico inspiracional. Para já, na política, a Casa Branca volta a ter um Republicano como residente. E ex-celebridade, ainda por cima, categoria social nascida nessa década.

A saga Star Wars renasce e tem cada vez mais seguidores, os originais e os seus filhos, e em Hollywood é já certo um remake do Dinasty, e já se aposta quem serão a loira e a morena que se pegarão ao estalo nas vezes de Linda Evans e Joan Collins.

O desenho de interiores da década de 80 dividia-se em dois braços, um queque, feito de chintz e cores pastel, popular, de que o shabby chic é ainda um sobrevivente atual; procurava-se aqui um regresso ao estilo campestre, mas como se Martha Stewart nos recebesse de saltos altos e lantejoulas pretas no alpendre em Aspen, com um tabuleiro de folhadinhos de salsicha.

Por outro lado, um lado mais intelectualizado, havia o estilo de Memphis, um grupo de designers de Milão, de desenho geométrico e abstrato e cores audazes e fortes, cujas peças originais alcançam nos nossos dias preços astronómicos em leilão (caso raro entre as outras produções artísticas de 80, agora bastante desacreditadas e fora do circuito artístico de investimento). Foi facilmente associado ao movimento pós-modernista, que declarou a falência das ideologias tradicionais das sociedades ocidentais do século XX, constatando as respetivas crises da estética e das formas culturais que a Europa e a América tinham conhecido num crescendo seguro e confiável desde o Iluminismo e do início da Era Moderna. Por isso, facilmente, foi batizada de era Pós-Moderna.

De alguma forma, os desenhos de 80 ficarão para sempre como as últimas criações verdadeiramente originais que a humanidade assinou. Desde lá outros avanços houve, claro, mas essencialmente no modo de produção e de fabrico. Ao nível criativo, desde aí, apenas se conhecem pastiches de originais nascidos antes, todos referenciáveis a outras eras e a outros desenhos. 2017 será apenas mais um ano onde se pesca num lago onde se conhecem bem os peixes.

Na galeria veja os originais da época misturados com os desenhos contemporâneos. Descubra as diferenças, quase não há, tal é o poder da década maravilha de que toda a gente que eu conheço morre de saudades.

p.s: quando finalizávamos este artigo morreram George Michael e Carrie Fisher. No mesmo ano em que David Bowie também fechou o microfone para sempre. Estes desaparecimentos são também razões para que 2017 seja um ano em que a inspiração revival seja definitivamente eighties.


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