Campanha contra tirania da magreza chega à Semana da Moda de Londres

Enquanto os estilistas acertam os detalhes para os desfiles da Semana da Moda de Londres, que começa no próximo dia 16, o partido britânico Women’s Equality lembra que um único tamanho não veste toda gente.

Esse é o lema da campanha #NoSizeFitsAll, lançada pela organização política que a jornalista Sophie Walker criou há um ano, e que desafia a indústria da moda a mudar o padrão de beleza feminino.

De acordo com a organização, a iniciativa visa combater a uniformização do corpo que começa no setor e é depois amplificado pelos meios de comunicação, tornando-se muito mais abrangente. “#NoSizeFitsAll desafia a abordagem da indústria da moda à imagem do corpo e o impacto que ela tem em modelos profissionais e, de forma mais ampla, em todas as mulheres e jovens”, descreve o site do Women’s Equality.

O impacto a que a organização se refere é sustentado em estudos, números e testemunhos que refletem como os estereótipos passados pela moda podem influenciar negativamente a vida e saúde de milhares de pessoas.

“Os distúrbios alimentares afetam 1.6 milhões de pessoas no Reino Unido, 89% dos quais são mulheres. [Os] 14-25 anos são a faixa etária mais afetada, com 5% de raparigas e mulheres a sofrerem de anorexia”, aponta o partido.

O que exige o Women’s Equality

Por considerar que tudo começa nas passerelles, com as peças de roupa das coleções a serem produzidas para um tipo definido de tamanho, o Women’s Equality apresenta na campanha quatro reivindicações.

A primeira é diretamente dirigida à Semana da Moda de Londres, que arranca na próxima semana. A campanha pretende que os estilistas participantes da Semana da Moda de Londres se comprometam a apresentar dois exemplos de tamanho em cada desfile, sendo que um deles deverá ser o 40, ou superior.

A segunda reivindicação da campanha tem um objetivo mais duradouro: mudar a lei de forma a que as modelos com um Índice de Massa Corporal inferior a 18.5 sejam avaliadas por um grupo de médicos e profissionais de saúde acreditados e que as agências só as possam contratar com um parecer favorável destes.

A ideia, explica Sophie Walker em declarações ao ‘The Guardian’, é aproximar o país do que já acontece noutros como Israel, que definiu esse valor como indicador mínimo para a contratação de modelos. O ano passado foi a vez de a França legislar sobre a matéria. “É francamente embaraçoso ainda não o termos feito”, afirma a ex-jornalista.

Mas a campanha do Women’s Equality pretende abranger todas as áreas que passam o atual padrão de beleza reduzido à magreza, por vezes, extrema, por isso, ela estende-se também às publicações especializadas. O partido pede, tal como nos desfiles, também a revistas, sites e blogs da área da moda que incluam os tamanhos grandes nos modelos e galerias que publicarem.

Por fim, e porque as escolas têm um papel fundamental na educação e formação das jovens, o partido quer que elas contribuam para desmistificar os padrões de beleza difundidos pelos Media, recorrendo, para isso, a especialistas da área preparados para abordarem essas temáticas.

O Women’s Equality pretende com esta espécie de caderno reivindicativo apelar à ação, depois de, sustenta, “durante anos, se ter tentado uma abordagem suave e não ter resultado”. “Chegou a altura de forçar a mudança”, exorta a campanha. Os primeiros chamados a responder são os estilistas, já no final da próxima semana, em Londres.

Duas modelos, dois tamanhos, uma realidade

As modelos Jada Sezer e Rosie Nelson associaram-se a esta campanha. A primeira é modelo plus-size, já desfilou em Nova Iorque e Londres, no primeiro evento realizado na capital britânica, especialmente concebido para mulheres que vestem tamanhos a partir do 40. Mestre em psicoterapia infantil, Jada Sezer é o rosto da L’Oreal’s True Match e está, atualmente, a preparar a sua própria linha de roupa.

Ao ‘The Guardian’ diz que o conceito de beleza feminina centrado na magreza, muitas vezes extrema, nem sequer é um conceito que parta da própria mulher. “Se olharmos para a história da moda, a maioria [dos estilistas] são homens, e é seu o ideal [refletido] daquilo que é a beleza”.

No extremo oposto, está Rosie Nelson, modelo que, aos 21 anos, entrou para uma agência no Reino Unido e teve de se submeter a uma dieta e a um plano rigoroso de exercícios físicos. Chegou a ter um Índice de Massa Corporal de 16, classificado pela Organização Mundial de Saúde como abaixo da “malnutrição severa”.

Nelson, que é outro dos rostos da campanha #NoSizeFitsAll mudou de agência e acabou por trocar os contratos com grandes multinacionais pela sua saúde. Criou uma petição para a criação de uma lei que protegesse a saúde das modelos, e conseguiu reuniu 120 mil assinaturas, levando-o ao parlamento britânico e permitindo, dessa forma, a discussão política sobre a questão.

A modelo continua a ser uma ativista pela diversidade na indústria da moda, que inclua todos os tipos de mulher, todos os tipos de corpo e todos os tamanhos.

 

 

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