Christopher Sauvat: “A liberdade e o amor não se compram.”

Cor, bordados e aplicações são três elementos que fazem sempre parte das coleções de Christophe Sauvat, o criador francês que se apaixonou por Portugal. Viaja em média uma vez por mês alimentando o espírito étnico das suas criações com influências de culturas distantes. Estivemos à conversa com o criador para saber mais sobre esta marca que parece estar sempre no verão e que em tanto se distancia das tendências de moda.

Qual é a razão para o estilo étnico tão característico da Christophe Sauvat, nunca passar de moda?

Porque é um estilo diferente, com cor, com trabalho tradicional, bordados, tecelagem especial. Hoje nas lojas é tudo preto, é tudo clássico, as pessoas querem fantasia, querem viajar, querem mudar e esse tipo de moda abre uma porta ao mundo das viagens.

O Christopher também vai agora de viagem para Índia, o que quer trazer de lá para a próxima coleção?

Eu faço quase tudo aqui em Portugal, tenho um ateliê cá em Portugal, que é onde tudo começa, mas acaba na Índia. Quando lá chego já sei o que vou fazer, por isso não vou encontrar coisas na Índia até porque já viajo para lá há muitos anos, por isso já conheço muito bem todas as técnicas da Índia.

A produção é feita lá?

Também é feita lá. A índia é muito conhecida pelos algodões, pelas técnicas de impressão, por isso padrões são desenhados cá mas são estampados no tecido lá. A preparação da cor também é feita cá e enviada para a índia onde é feito o primeiro tingimento e onde são feitos os ajuste necessários.

E a confeção da roupa é feita em Portugal?

Não. É feita em fábricas grandes que trabalham para grandes marcas como Isabel Marant, Givenchy, Marc Jacobs.

Porque é que decidiu estabelecer-se em Portugal?

Porque gosto muito deste país e da vida aqui. Gosto do mar, gosto de surfar, gosto da comida, gosto das pessoas que são simpáticas e menos setressadas que em Paris. E tenho três filhos que quero que cresçam aqui, porque Portugal é muito seguro para as crianças.

As crianças são mais livres em Portugal?

Sim, e isso não tem preço. A liberdade e o amor não se compram.

 

Qual é o seu sítio preferido em Portugal?

É a minha casa. Mas eu gosto muito de surfar por isso depende de para onde as ondas me levam, mas no verão gosto muito da Comporta.

Como é que define a mulher Christophe Sauvat?

É uma mulher que trabalha, que é livre, que não precisa do dinheiro do marido para comprar as suas coisas, que quer sair, que gosta de praia, de festas, de viajar. São mulheres independentes que gostam da vida.

Porque é que escolheu trabalhar em moda?

Porque gosto de coisas que mudam, a moda está sempre a mudar, tem uma evolução enorme e eu gosto disso.

Apesar da mudança a sua marca mantém-se sempre dentro da mesma linha de design, porquê?

O problema e a sorte do estilo étnico é que se formos para a América do Sul, para África ou para a Ásia, a técnica é parecida, os desenhos são todos idênticos. O estilo étnico é muito parecido em todos os lados do mundo.

Acha que é por isso que é um estilo tão aceite em todo o mundo?

Talvez e porque é um estilo que guarda o valor cultural da civilizações, a tradição e isso é muito interessante.

Quais são as principais mudanças na marca par este ano depois da saída da Filipa?

Não vai mudar nada, tenho o mesmo escritório e as mesmas pessoas a trabalhar. Desde o primeiro dia que a marca tem a minha visão e o meu nome, a Filipa fez parte da marca, mas continuou sempre a ser a minha visão.

O que podemos esperar das próximas coleções?

Vou fazer mais acessórios, porque acho que é um tipo de produto que vai alcançar um publico mais vasto.

Como é que se adapta uma marca que tem um estilo tão de verão ao inverno?

Quando viajei para o Peru a minha intenção foi explorar a alpaca que é um material de inverno, mas o primeiro problema que encontrei foi o preço. O inverno é mais caro, os materiais são mais caros e também é mais curto.

E as coleções são mais pequenas também?

São, eu quero trabalhar mais em Portugal, encontrei diferentes fábricas que trabalham muito para grandes marcas e gostaria de trazer a produção da coleção de inverno para cá.

Em que se distingue a mulher portuguesa da do resto do mundo?

Não há muitas diferenças, hoje me dia com a internet somos todos iguais, porque toda gente recebe as mesma influências.

E isso é bom ou é mau?

É bom por um lado e mau por outro, é bom porque a moda se difunde mais depressa e mau porque toda a gente parece igual.

 

 

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