Dilma faz último discurso antes do julgamento

Dilma Rousseff (REUTERS/Ueslei Marcelino)

Dilma Rousseff fez ontem, no Teatro dos Bancários, em Brasília, o seu último discurso antes do julgamento desta quinta-feira, que deverá conduzir ao seu afastamento definitivo do poder.

A Presidente brasileira, com mandato suspenso desde o passado mês de maio, depois de a maioria dos senadores ter votado pela abertura do processo de impeachment (destituição), dirigiu-se aos seus apoiantes reafirmando a injustiça da sua condenação e pedindo a convocação de eleições.

Acusada de irregularidades orçamentais, Dilma Rousseff disse estar a ser condenada por “um não-crime”. “Eu não cometi crime”, reafirmou, ao mesmo tempo que definiu como “sombrios” os tempos que o Brasil vive.

A Presidente, que continua a classificar este processo de destituição como “um golpe”, lembrou o ex-Presidente Getúlio Vargas, que “se suicidou porque queria preservar a democracia” no país e “sabia que ela estava em risco”.

“Nós somos responsáveis por termos construído um outro tempo histórico, porque hoje eu não tenho de renunciar, não tenho de me suicidar, não tenho de fugir”, frisou. Dilma acrescentou que são os valores democráticos que vai levar ao Senado quando chegar a sua vez de ser ouvida, na reta final do julgamento que se inicia hoje. “Eu vou defender a democracia, o projeto político que eu represento, o que eu acho que são os interesses legítimos do povo brasileiro e, sobretudo, construir os instrumentos que permitam que isso nunca mais aconteça neste país”, sublinhou a Presidente, que decidiu que fará pessoalmente a sua defesa perante os senadores.

O seu passado de resistência política também não foi esquecido no comício de ontem.“Quem resistiu ao golpe militar, resistirá ao golpe parlamentar”, numa alusão à sua luta contra a ditadura militar, foi uma das mensagens que os seus apoiantes levaram. Por seu turno, a Presidente aproveitou a capacidade de resistência que lhe é reconhecida para se dirigir ao eleitorado feminino, dizendo que será “a primeira de muitas mulheres presidentes deste país”.

A governante voltou a defender que o processo de impeachment de que é alvo deve-se a medidas que o seu partido, o Partido dos Trabalhadores (PT), tomou, desde o mandato de Lula da Silva, em defesa de “políticas sociais” e de apoio às minorias, e alertou para as alterações que o executivo interino de Michel Temer está a introduzir e que se traduzirão em cortes na educação e na saúde.

No julgamento, que tem início hoje e que é derradeira etapa do processo de impeachment de Dilma Rousseff, serão ouvidas, no Senado, duas testemunhas de acusação e seis de defesa.


Leia também: Perfil de Dilma Rousseff: da ascensão à contestação


 

Imagem de destaque: REUTERS/ Ueslei Marcelino

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