Subir

Kate Hudson revela porque é que já não entra em muitos filmes

O início da carreira de Kate Hudson foi meteórico, com uma nomeação para os Óscares da Academia e o Globo de Ouro para Melhor Atriz Secundária pelo papel de “Penny Lane” em “Quase Famosos”, em 2000. Quem é que nunca viu uma comédia romântica protagonizada por Kate Hudson, a loira deslumbrante que ensinou a perder um homem em dez dias (ao lado de Matthew McConaughey) ou a lidar com um amigo que se encosta ao nosso sofá (“Eu, Tu e o Emplastro”)?

Filha de Goldie Hawn e Bill Hudson, Kate Hudson tornou-se uma das celebridades mais conhecidas de Hollywood. Mas a sua produção cinematográfica diminuiu bastante nos últimos anos. Em 2017, entrou em “Horizonte Profundo – Desastre no Golfo” com Mark Wahlberg, e apesar da nomeação para dois Óscares técnicos, o filme não foi um blockbuster. Porque é que a atriz, de 38 anos, parece cada vez mais longe de Hollywood?

“Tento ser fiel a mim própria como atriz e é por isso que já não trabalho muito”, revelou Hudson durante um painel sobre tecnologia e celebridades no evento AT&T Shape, que decorreu nos estúdios da Warner Bros, em Los Angeles. “Os guiões que me chegam são aqueles que não quero fazer. Artisticamente, à medida que envelheço, vou querendo fazer outras coisas.”

O problema é que Hudson ficou agarrada à imagem de loira engraçada para comédias românticas, e é difícil sair desse formato. “Gostaria de fazer um projeto que me despertasse paixão”, revelou.

Isso não quer dizer que não faça nada; Hudson disse estar a trabalhar num filme do qual não pode falar mas que lhe está a dar muito prazer, devido aos outros atores e produtores envolvidos. Também planeia para breve a publicação de um segundo livro, que versará sobre a alegria e diversão. Chama-se “Pretty Fun”, seguindo a linha da primeiro, “Pretty Happy.”

No entanto, a atriz lamenta o estado atual da indústria do cinema em Hollywood. “Trabalho profissionalmente há 18 anos e a mudança foi enorme. Os estúdios já não fazem aqueles filmes de orçamento médio, tipo 30 milhões de dólares”, apontou. Agora, ou é um blockbuster com um orçamento milionário ou é um filme praticamente sem dinheiro.

“Por causa da tecnologia, já não apoiam os artistas, já não correm riscos com jovens artistas”, argumentou. “O artista que cria conteúdos é muito mais dispensável hoje em dia. Já não se criam estrelas de cinema. Agora querem descobrir a próxima estrela em vez de chegar à melhor versão das que já existem.”

Ainda assim, Kate Hudson vê o lado positivo da forma como as redes sociais, serviços de streaming e outras tecnologias mudaram o mercado. “Os artistas têm hoje maior controlo sobre as suas próprias narrativas. Não estamos a fazer os filmes que faríamos dentro do sistema de estúdios, há mais poder para os criadores.” Hudson deu um exemplo: quando ela começou a sua carreira, se tivesse feito um anúncio para a operadora AT&T seria como o “beijo da morte”, nunca mais trabalhava como atriz. “A estrela de cinema agora tem as mãos em muito mais coisas. Levantou-se o véu. Já não há tanto mistério, abrimos as nossas vidas para que as pessoas se possam ligar a nós.

Hudson referia-se ao poder de conexão direta que é possível através das redes sociais. Ela própria aderiu tarde, mas tem gerido de forma inteligente as suas contas pessoais, com destaque para o Instagram. Aqui entra o outro motivo pelo qual se afastou um pouco de Hollywood: em 2013, Hudson co-fundou uma marca de roupas e acessórios de desporto, a Fabletics, que é um sucesso tremendo em Los Angeles. Esta transição para mulher de negócios abriu-lhe perspetivas que não tinha antes, descobrindo algo que a realiza de uma forma diferente.

Adoro o mundo dos negócios. Aprender como delinear um negócio, criar relações que são úteis na aprendizagem”, indicou. “Em vez de perseguir dólares, espalhar uma mensagem que esperamos ser bem-sucedida. Foi aí que aconteceu a minha mudança”, disse, referindo-se à entrada nas redes sociais. “Quero ligar-me melhor às pessoas e descobrir como torná-las mais felizes.”

Rita Guerra