Sexualidade feliz para maiores de 60 é uma realidade

Esperança média de vida em Portugal acima dos 80 anos

Se a conversa pública sobre sexo não é comum, direcionar esse tema para uma população acima dos 55 anos é raro e, diga-se, quase uma bizarria. Parece que só os mais novos têm direito ao prazer. Só a eles lhes é concedido o beneplácito do erotismo, das sensações do corpo e da existência de uma sexualidade feliz. Parece haver uma ideia instalada de que a sexualidade madura, com corpos que envelhecem, tem qualquer coisa de grotesco. Só assim se entende o modo como ativamente decidimos não conversar, não ver, não querer saber de um tempo e de uma conjuntura onde todos (ou os que assim entenderem), um dia, nos vamos acomodar. Como se o sexo tivesse obrigatoriamente que ser bonito, fresco, e, sobretudo, jovem, recente, imberbe e ninfeto.

Os conselhos, sugestões e ideias para relações e sexo parecem abarcar apenas os jovens de corpo, deixando de lado aqueles cuja data de nascimento não se enquadra nos requisitos para a existência de uma vida sexual. Mesmo que se saiba, sem querer saber, que os lares estão cheios de pessoas com corações ativos e, em muitos casos, corpos e vontades que lhes seguem o ritmo. O sexo existe na terceira idade. O sexo existe muito depois de os filhos estarem criados e saírem de casa. O sexo existe mesmo quando o nosso preconceito teima a matá-lo por falta de juventude.

Por que razão este modo de conexão humana é socialmente vedada aos mais velhos? Que percepção é esta de que os corpos que se tocam, que vibram, têm obrigatoriamente de ser novos e sem rugas? Os velhos, em tempos idos as pessoas que se procuravam para conselhos sobre a vida, são hoje, também do ponto de vista sexual, dispensáveis. Recorremos a eles para uma questão de perspectiva sobre a vida desde que essa vida não inclua a dimensão sexual.

Se olharmos para os media que nos enformam, o sexo é praticado por gente jovem, ou que, no limite, já pinta o cabelo para esconder brancos precoces. A idade dos corpos é, definitivamente, mais importante que a idade do espírito e, sobretudo, do desejo. O sexo aos 50, aos 60, aos 70 é falado com a mesma panache dos sexo aos 20 ou aos 30. Ora, se o que queremos na vida aos 30 não é o mesmo que aos 60, por que razão o sexo tem de ser uniformizado do mesmo modo?

À exceção da saúde sexual feminina e masculina, com as questão da menopausa, próstata e disfunções sexuais a encabeçar a lista de temas, o sexo em idade mais avançada é retratado nestas faixas etárias, ora como pouco mais que um companheirismo de anos, ora como produto de Viagras e companhia. Seja qual for o extremo, parece que os mais velhos não têm, publicamente, direito a uma sexualidade comum, tanta quanto a que entenderem os interessados.

Arlene Heyman, psicóloga, psicanalista e autora do livro ‘Scary Old Sex’, afirma que os mais velhos têm sobre eles tantos preconceitos quantos os mais novos, embora de natureza diferente. Enquanto aos primeiros lhes é pedido que saibam sempre o que fazer na cama, em todas as ocasiões, apenas porque são jovens; aos mais velhos, não só socialmente esse acesso parece ser-lhes vedado como ainda é suposto que guardem consigo o segredo da vida feliz.

A atriz britânica Helen Mirren afirmou recentemente numa entrevista que, aos 69 anos, o sexo era melhor que nunca. Que na juventude a sua vida sexual era vazia e paranoica, mas que a idade a ensinou a apreciar o sexo. Esta é uma ideia corroborada por Joan Price, autora de 3 livros sobre este tema, incluindo o mais recente ‘The ultimate guide to sex after 50’, em que afirma que o maior ou menor grau de satisfação sexual depende na realização de que o sexo muda à medida que a idade avança. E muda para melhor porque o tempo nos ensina a estar numa relação, porque nos sentimos emocionalmente mais estáveis e porque sabemos melhor o que queremos e como comunicá-lo. Por outro lado, se continuarmos à procura de uma sexualidade juvenil, de excitação imediata e orgasmos rápidos, é provável que a sexualidade não satisfaça à medida que envelhecemos.

Parece que, tal como quase tudo o resto na vida, o sexo também carece que redefinição com a passagem do tempo. Sobretudo na noção de que a sexualidade não tem de estar sempre assente na penetração, no corpo e na sua perfeição, mas sim no erotismo e sensualidade.

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