Stella McCartney: “Sentia-me inferiorizada pelas marcas de roupa de luxo”

McCartney

Stella McCartney conseguiu a proeza de ser filha de um dos elementos da mais icónica banda da história da música, os Beatles, e construir uma carreira em nome próprio.

A criadora, de 44 anos, confessou em entrevista ao diário britânico ‘The Telegraph’ que, quando era jovem, se sentia oprimida pela indústria da moda. E que isso se repercute agora num cuidado extremo que nos anúncios dos seus produtos, como é o caso do vídeo que promove a sua mais recente fragrância, POP, e que é protagonizado pela filha de Madonna, Lourdes, a artista canadiana Grimes, a atriz norte-americana Amandla Stenberg e a manequim Kenya Kinski-Jones (filha de Nastassja Kinski e Quincy Jones).

“Olho para a Bailey [filha] e ela parece-me muito mais velha do que realmente é. Ela está muito atenta à publicidade. Todos estamos. Sinto-me responsável… Jamais iria promover um anúncio que fizesse com as mulheres se sentissem mal consigo mesmas porque, quando eu era mais nova, nunca me sentia nem rica nem na moda o suficiente. Nem suficientemente boa. Sentia-me inferiorizada pelas marcas de roupa de luxo. Havia uma desconexão. Faziam-me sentir que não tínhamos ligação”, confessa Stella. 44 anos.

Na entrevista, a filha de Paul e Linda McCartney fala também das dificuldades em compreender as necessidades e os desejos das gerações mais novas, os millenials, que tomaram de assalto a indústria da moda, quer nas passerelles (veja-se os casos das planetariamente famosas Kendall Jenner e Gigi Hadid) quer (e sobretudo) nas redes sociais. Uma dificuldade que, ironicamente, chega até à forma como tenta perceber o que as filhas, Bailey, de nove anos e Reiley, de cinco, gostam de vestir. “Explica-me porque é que gostas disso?”, pergunta-lhes.

A batalha por um negócio ecologicamente sustentável e ético custa a Stella McCartney vários milhões de euros por ano, como revela na entrevista. A estilista de 44 anos foi uma das primeiras do seu ramo a recusar trabalhar com materiais que impliquem o sacrifício de animais, como peles e couro. É também presença frequente em campanhas de sensibilização da organização PETA (People for Ethical Treatment of Animals). Uma batalha que trava, até aos dias de hoje, praticamente sozinha.

“Há muitos criadores que têm uma atitude muito ‘que se f***’ no que toca a usar peles. Se é errado, vão fazê-lo. Mas tendo em conta que só somos três que não usamos, não estão a ser muito punk. Estão a ser coniventes com todas as outras marcas. A indústria das peles apanha os estudantes de moda quando são muito novos, paga-lhes para as usarem. Mas, mesmo que não se preocupem com os milhões de animais assassinados pela moda, não é sustentável e não é muito moderno”, afiança.

Stella McCartney está, desde que nasceu, debaixo de constante escrutínio público. Qualquer passo seu, profissional ou pessoal, é avaliado, analisado, dissecado, num país conhecido por ter uma imprensa tabloide particularmente implacável. Podia ter-se mudado para os Estados Unidos, construído o seu império do outro lado do Atlântico. Mas preferiu sediar a sua empresa em Londres, em 2001, quando Londres não era significante no mapa da moda. Hoje, emprega 500 pessoas. “É um dos aspetos de que mais tenho orgulho. As pessoas que trabalham comigo podiam fazê-lo em qualquer parte do mundo, para qualquer marca, mas escolheram fazê-lo aqui”, explica.

Casada há 13 anos com o editor Alasdhair Willis, com quem tem quatro filhos (Miller, onze anos, Beckett, oito, Bailey, nove e Reiley, cinco), Stella é uma agricultora de fim-de-semana, uma mãe que vai buscar e levar os filhos à ginástica e ao futebol.

E, aos 44 anos, a criadora considera que a postura da sociedade em relação ao envelhecimento está a mudar. Pelo menos a sua, está. “Claro que vivemos numa sociedade em que há o medo de envelhecer. Mas, para mim, a alternativa não é fantástica. Tenho amigos muito mais velhos e muito mais novos e adoro isso. Significa que ensinamos mas também aprendemos”, garante.

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