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Atingi o meu nível de incompetência

Há quase dez anos comecei a liderar equipas. Primeiro, em projetos pontuais sob a estrutura da Associação Leque e depois assumindo por exclusivo a coordenação executiva do projeto EKUI.

Ao contrário do que parece ser uma prática corrente, não me formei para o exercício das funções de liderança. Fui assim reconhecida pelos meus pares.

Não desvalorizando a busca de conhecimentos adicionais, sinto que a liderança é intuitiva e que nasce contigo. São os teus comportamentos e atitudes que desafiarão os outros a “entrar” na tua dança.

Nesse momento da vida corres o risco de te verem como “a mulher louca dançando sozinha”. Mas persistes. Acreditas em ti e no que defendes. Mais tarde ou mais cedo alguém te seguirá. São os teus primeiros seguidores os que transformam, a “louca dançando sozinha “, numa líder.

O teu movimento torna-se público e soma adeptos. É camaleónico. Ganha dimensões, cores e sabores nunca antes sonhados. Mesmo sem o teres desejado ou ambicionado, lideras. E isso pode ser absolutamente fantástico ou assustadoramente penoso.

Liderar implica tomar decisões, o que pode não agradar aos gregos e aos troianos que te rodeiam. Defendes a competência, a transparência, premeias o esforço, rejeitas “elevadores profissionais” e sentes como imperativo escalar degraus, pois são estes que de facto te elevarão ao patamar da sabedoria.

Nesta escalada tropeças, escorregas e desces para voltar a subir. Encontras quem precisa do teu amparo para se elevar, quem sobe sozinho ou aqueles que vão ficar para sempre nas primeiras escadas. Não porque sejam menos sábios ou válidos, mas porque são os guardiões daquele patamar. Noutros mais acima, revelar-se-iam inúteis, ou aplicando aqui o Princípio de Peter, teriam sido promovidos até atingir o seu nível de incompetência.

Saúdo com sinceridade os raros corajosos que assumem as suas incapacidades. Gosto tanto destas pessoas que acabarei por me rever numa delas. Também eu em algum momento do meu percurso, me tornarei incapaz e incompetente.

Atingirei o meu nível de incompetência quando tiver de liderar pessoas que não querem ser lideradas, adultos que não querem crescer ou profissionais eternamente amadores.

Nesses momentos largarei a escada e voltarei a reiniciar os degraus. Se serão mais inclinados ou menos inclinados? Mais largos ou mais estreitos? Curvilíneos ou retos? Não sei! Apenas degraus. O ciclo recomeçará e com ele, outro patamar no qual certamente terei de voltar a parar.