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As duas vitórias de Inés Arrimadas não chegam para governar a Catalunha

Primeira vitória: O partido Ciudadanos é a força política mais votada para o Parlamento da Catalunha, nestas eleições de 21 de dezembro, que decorreram depois do início de um processo independentista que o governo de Madrid considerou ilegal. Na sequência da dissolução da assembleia legislativa da região autónoma, as eleições realizadas esta quinta-feira bateram recordes de participação (apenas 18% de abstenção) e levaram o partido liderado por Inés Arrimadas à vitória. Com mais de 25% dos votos (ultrapassando 1 milhão de votos) e 37 lugares de deputados, o Ciudadanos afirma-se como a primeira força política da Catalunha, mas não será capaz de formar Governo uma vez que Junts per Catalunya e Esquerda Republicana (ER) conseguem 66 lugares e pretendem governar em coligação, no mesmo modelo que tinham antes da dissolução do mandato. Com mais 4 lugares assegurados pela CUP, os independentistas têm uma maioria absoluta de 70 deputados.

O sabor a derrota está em todas as declarações da líder dos Ciudadanos – “é uma lei eleitoral injusta”, disse à TVE, referindo-se ao diferente peso que os votos têm para a ocupação de lugares de deputados, dependendo da província onde residem os eleitores. No entanto, Inés Arrimadas conseguiu uma segunda vitória: pela primeira vez, na história da democracia espanhola, um partido não-nacionalista consegue a maioria dos votos dos catalães.

Ignorando esse facto estatístico, Carles Puigmont afirmou desde Bruxelas que o resultado destas eleições é sinal de que: “Rajoy perdeu. Esta é a hora da retificação, da reparação do governo da Catalunha.” Mas a vitória dos independentistas é, sobretudo, uma vitória da ER. Se os últimos resultados são difíceis de comparar, uma vez que nas eleições de 2015 as duas forças políticas concorreram juntas conseguindo 62 votos (agora conseguem sentar na soma 66 deputados), face às eleições de 2012 ex-Convergéncia i Unió (de Puigmont) tinha 50 deputados e a ER apenas 21.

O futuro da Catalunha é uma incógnita. Interpretando os resultados eleitorais é possível ver que a nação está dividida ao meio, tal como o parlamento: metade quer a independência e a outra metade quer manter as relações intactas com Espanha, tal como estão previstas na Constituição. Longe de tentar encontrar uma solução consensual, Puigmont apressou-se a declarar: “A república catalã ganhou à monarquia do artigo 155.” Quase ao mesmo tempo, Inés Arrimadas afirmava que se manteria na luta pela “solidariedade” com Espanha: “Vamos continuar a lutar. Agora lutaremos com mais força e com mais assentos” no parlamento. Da plateia saiam gritos dirigidos a Inés Arrimadas que a chamavam “Presidenta! Presidenta!”

 

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