Irão. Mulher condenada a dois anos de prisão por publicar fotos sem véu

Protest outside Iranian Consulate in Istanbul following Mahsa Amini's death
Mulher protesta diante do Consulado Iraniano na Turquia após a morte de Mahsa Amini, iraniana de 22 anos detida pela polícia responsável por verificar as práticas de vestuário e que morreu sob custódia policial [Fotografia: EPA/ERDEM SAHIN]

Um tribunal iraniano condenou uma mulher a dois anos de prisão por publicar diversas fotografias suas sem véu, denunciou o seu advogado à agência de notícias formada por ativistas dos direitos humanos HRANA.

“A minha cliente foi condenada a dois anos de prisão por um tribunal de Behnahan, pela publicação no ciberespaço de imagens em que não usa o ‘hijab’ [véu islâmico]”, explicou Chater Sefid, advogado da mulher condenada.

A mulher, identificada como Zeinab Jeniabpur, já tinha sido alvo de represálias por participar numa greve de apoio às manifestações desencadeadas pela morte da jovem curda iraniana Mahsa Amini, tendo a sua mercearia sido fechada em dezembro de 2022.

Além disso, e numa outra ocasião, Zeinab Jeniabpur foi condenada a três meses de prisão por um tribunal de Mahshahr por fazer “propaganda contra o regime”.

Mahsa Amini morreu em setembro de 2022 quando estava sob custódia policial, depois de ter sido detida na capital do país, Teerão, por alegadamente usar o véu de forma incorreta.

Mahsa Amini prémio Prémio Sakharov 2023
[Fotografia: Kenzo TRIBOUILLARD / AFP]

O Presidente do Irão, Ebrahim Raisi, descreveu então a morte da jovem como “um incidente” e reiterou as suas acusações de que os países ocidentais aproveitaram o episódio para fazer “uma guerra híbrida” contra Teerão.

A morte da jovem curda iraniana desencadeou uma das maiores vagas de protestos das últimas décadas no país, que resultou em mais de 500 mortes devido à violenta repressão das autoridades, segundo diversas organizações não-governamentais (ONG).

O parlamento do Irão aprovou, em setembro, um projeto de lei que endurece as punições contra mulheres e raparigas que violam o rigoroso código de vestuário do país, incluindo o uso obrigatório do véu, uma medida que foi classificada por especialistas das Nações Unidas como “apartheid de género”.

LUSA