Subir

Brexit: as consequências para a moda britânica

No dia 23 de junho deste ano o Reino Unido decidiu sair da União Europeia com 51,9% dos votos a favor do Brexit e 48,1% pelo Remain. A decisão apesar de clara não foi unânime, tendo ganho o Remain na Escócia e na Irlanda com 62% e 55,8% respetivamente. A divisão não se sentiu apenas a nível regional mas também em algumas indústrias, incluindo a moda.

Uma sondagem levada a cabo pelo British Fashion Council, em junho, revelou que 90% dos 290 designers de moda sediados em Londres, votariam para permanecer na União Europeia. A indústria da moda teme não só o aumento das taxas, mas também a debilitação das universidades de moda, que recebem alunos de todo o mundo por serem das mais conceituadas do mundo.

“Não posso negar que é preocupante pensar que provavelmente iremos assistir a uma diminuição da empregabilidade dos nossos licenciados na União Europeia. Estou igualmente preocupado com o decréscimo do número de estudantes da União Europeia, uma vez que não poderão vir para cá estudar de forma tão livre como agora”, explicava Fabio Piras, Diretor do Mestrado em Moda da Central Saint Martins, ao site Business of Fashion.

A diretora demissionária da Vogue Britânica, Alexandra Schulman partilha destes receios, revelando ao mesmo site que é preciso “garantir que pessoas talentosas e qualificadas vindas de países da União Europeia poderão trabalhar no Reino Unido com a menor burocracia possível, e que também poderão estudar no país.”

Vivienne. Pic #juergenteller @sadiecoleshq

Uma foto publicada por Vivienne Westwood (@viviennewestwoodofficial) a

Apesar do clima de incerteza da indústria em relação às decisões do governo, Theresa May recebeu logo em setembro personalidades da moda na sua residência oficial para assinalar a abertura de mais uma edição da semana de moda de Londres, em setembro. Entre os convidados estavam Christopher Bailey um dos 100 homens de negócios que assinou a carta de apoio ao Remain e Vivienne Westwood que fez um forte apelo ao voto contra a saída da União Europeia. O desconforto era por isso latente e a grande dúvida era se a atual primeira-ministra britânica iria tocar na ferida, ou se limitaria a sorrir para a fotografia da praxe.

Theresa May não fez nem uma coisa nem outra escolhendo ficar no meio do caminho não aprofundando muito a questão da União Europeia. No seu discurso salientou a importância da indústria da moda para a economia do país e reforçou a total disponibilidade do governo para criar todas as condições para o crescimento do setor da moda:

“A moda britânica tem uma enorme importância para o nosso país, contribuindo com 28 biliões de libras [valor de 2015] para a economia do Reino Unido e garantindo cerca de 900 mil postos de trabalho. (…) Estou orgulhosa de dizer que a nossa moda Britânica é líder mundial no comércio, criatividade e inovação. O valor de exportações da indústria de moda britânica em 2015 foi de 5,8 biliões de libras. (…) Todas as áreas de negócio nesta indústria terão um papel fundamental para assegurar que faremos do Brexit um sucesso, tirando vantagem das oportunidades que sair da União Europeia.”

O artigo 50º do Tratado de Lisboa foi assinado por Teresa May ontem., e com essa assinatura acabam-se as esperanças para a Europa Unida. O Reino Unido também não está de saúde. Talvez só a moda britânica se mantenha com os mesmos níveis de união e interesse comum.

Fotografia de destaque: REUTERS/Christopher Furlong/Pool

Margarida Brito Paes