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É assim que Andy Murray responde aos jornalistas machistas

Andy Murray

Na última quarta-feira, dia 12, Andy Murray foi eliminado do torneio de Wimbledon pelo norte-americano Sam Querrey, nos quartos-de-final da competição. Numa conferência de imprensa após o jogo, um jornalista referiu-se a Querrey como “o primeiro jogador norte-americano que chega às semifinais de um ‘Grand Slam‘ desde 2009”, ignorando por completo as conquistas das tenistas norte-americanas nos últimos anos. Mas o tenista escocês fez questão de relembrá-lo.

“Jornalista masculino”, interrompeu Andy Murray durante a conferência de imprensa. Ao que o jornalista respondeu: “Desculpe?”. E o tenista voltou a sublinhar: “Jogador masculino” (como pode ver no vídeo abaixo).

Só a norte-americana Serena Williams, desde 2009, conquistou 13 títulos no ‘Grand Slam’.

Não é a primeira vez que Andy Murray defende as mulheres

O número 1 do ranking mundial de ténis masculino conquistou o torneio de Wimbledon por duas vezes, em 2013 e 2016. Há quatro anos, quando arrecadou o troféu pela primeira vez, derrotando Novak Djokovic, foram muitos os órgãos de comunicação social que referiram que essa vitória vinha acabar com o jejum britânico de 77 anos no All England Tennis Club, o local onde se realiza o torneio. Estavam a ignorar, mais uma vez, que desde 1936 já quatro mulheres britânicas tinham vencido a competição: Dorothy Round em 1937, Angela Mortimer em 1961, Ann Haydon em 1969 e Virginia Wade em 1977.

A resposta que Andy Murray deu ao jornalista na quarta-feira deixou muitos surpreendidos, atletas e não só. No entanto, esta não é a primeira vez que o tenista defende as atletas do sexo oposto.

Em 2016, depois de conquistar a sua segunda medalha de ouro olímpica no Rio de Janeiro, um jornalista perguntou-lhe: “É a primeira pessoa na história a ganhar duas medalhas de ouro olímpicas no ténis. É uma façanha extraordinária, não?”. Ao que o tenista respondeu: “Venus e Serena ganharam umas quatro cada uma.”

Andy Murray sempre afirmou ter “uma forte influência feminina”

Andy Murray tornou-se mesmo, em 2014, no primeiro tenista de elite a ser treinado por uma mulher. O vínculo profissional com a antiga jogadora francesa Amélie Mauresmo durou menos de dois anos, mas nesse período de tempo o atual número 1 do ténis mundial aumentou a sua percentagem de vitórias – de 75,6% para 79,4% – e adicionou sete títulos ao currículo, apesar de nenhum deles ter sido um ‘Grand Slam’.

Mas Amélie Mauresmo não foi a única mulher importante na carreira de Murray. Ainda adolescente, o escocês era treinado por Judy Murray, a sua mãe, levando-o a afirmar desde sempre que teve “uma forte influência feminina”.

Tenistas feministas felizes com resposta de Andy Murray

Judy Murray, mãe do tenista escocês, não podia ter ficado mais satisfeita com a resposta que o filho deu à pergunta machista do jornalista e fez questão de expressar o seu orgulho no Twitter. “Este é o meu rapaz”, escreveu, partilhando o vídeo da conferência de imprensa.

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Quem também ficou bastante satisfeita foi Serena Williams, que até afirmou que “ama” Andy Murray por ter defendido as mulheres.

“Não deve haver por aí nenhuma mulher atleta que não ame o Murray. Ele fala em nome dos direitos das mulheres. Ele fez isso novamente. Ele é assim e é por isso que o amamos. Fez muito por nós nos jogos”, explicou a norte-americana que não participou no torneio de Wimbledon por estar grávida.

Os machistas do mundo do ténis

Durante esta última edição do torneio de Wimbledon, Andy Murray e Venus Williams lutaram para que se realizassem mais jogos femininos nos campos centrais do All England Tennis Club, onde apenas costumam decorrer as partidas masculinas do torneio. Contudo, nem todos remam para o mesmo lado.

Recentemente, o tenista sérvio Novak Djokovic afirmou concordar com o facto de os homens ganharem mais do que as mulheres no mundo do ténis. “Temos muito mais espectadores nas partidas masculinas, deveríamos ganhar mais”, disse.

Já no ano passado, Raymond Moore viu-se obrigado a apresentar demissão depois de ter feito declarações sexistas. “As jogadoras não tomam quaisquer decisões. Na minha próxima vida, quando voltar, quero ser alguém da WTA [circuito feminino] porque elas são levadas pelos homens. São sortudas. Têm mesmo muita, muita sorte”, afirmou Moore na altura, após uma partida entre a bielorrussa Viktoria Azarenka e a norte-americana Serena Williams.

A diferença entre tenistas masculinos e femininos estende-se também aos órgãos de comunicação social. Segundo um documento do Conselho Superior do Desporto de Espanha, que contém o resultado de um estudo feito em 108 países e apresentado em setembro de 2010, “as mulheres só são protagonistas das notícias desportivas em 11% dos casos; os homens, em 89%. Mas os resultados para Espanha são ainda mais baixos: as desportistas mencionadas eram 6% e os desportistas 94%.”

C.C.