Subir

Ex-ministra da Defesa espanhola morre aos 46 anos

Carme Chacón

A ex-ministra da Defesa espanhola Carme Chacón, 46 anos, do Governo socialista de José Luis Zapatero, foi encontrada este domingo à tarde morta, na sua residência em Madrid, disseram fontes policiais.

Uma amiga de Carme Chacón encontrou-a morta na sua residência, noticiou a Efe, que refere que o serviço de emergência 112 de Madrid recebeu uma chamada pelas 19h30 locais, 18h30 de Lisboa, em que uma pessoa afirmou que há muito tempo não tinha notícias da política. À sua residência deslocaram-se agentes da Polícia Nacional e os bombeiros de Madrid, que abriram casa.

A política morreu vítima do síndrome do “coração invertido”, uma doença congénita que tinha desde criança. Os problemas cardíacos fizeram com que a espanhola se associasse, várias vezes, a ações de sensibilização para a cardiopatia congénita.

“Tenho 35 pulsações por minuto e o coração ao contrário, um bloqueio auricular e ventricular completo. Isto faz-me pensar que todos os dias são um presente”, explicou a socialista, em 2015, ao jornal espanhol La Vanguardia.

A carreira de Carme Chacón

Carme Chacón, que foi a primeira mulher a assumir a pasta da Defesa em Espanha, de 2008 a 2011, nasceu em 1971, em Esplugues de Llobregat, na área metropolitana de Barcelona.

Em 1994, Carme Chacó ingressou no Partido Socialista da Catalunha (PSC), e de 1999 a 2003 foi vereadora da municipalidade de Esplugues de Llobregat, e sua vice alcaide.

Em 2000 entrou para a Comissão Executiva Nacional do PSC e foi deputada por Barcelona de 2000 a 2004. Neste mesmo período foi secretária de Educação, Universidades, Cultura e Investigação, do Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE).

Entre 2003 e 2004 foi porta-voz do PSOE e, a partir desta altura, ocupou também a vice-presidência da Câmara de Deputados (câmara baixa do parlamento espanhol), até 2007, e foi secretaria da Cultura do PSOE até 2008.

Em 2007, José Luís Zapatero, então primeiro-ministro de Espanha, designou-a ministra da Habitação, cargo onde se manteve até 2008, quando foi nomeada ministra da Defesa.

No 38.º Congresso do PSOE, em 2012, apresentou-se como candidata a secretária-geral do partido, contra Alfredo Pérez Rubalcaba, cargo que perdeu por 22 delegados.

De 2013 a 2014 foi professora na Universidade de Dade, em Miami, na Florida. Em 2014 foi eleita no congresso extraordinário do PSOE, secretária de Relações Internacionais, e em 2015 foi cabeça de lista do PSC às legislativas espanholas, tendo sido eleita deputada.

Renunciou ser candidata às legislativas de junho do ano passado e passou a fazer parte de uma firma de advogados de Madrid.

Chacó foi uma dos 17 membros da Comissão Executiva Federal do PSOE que se demitiram para provocar a saída do secretário-geral Pedro Sanchéz, que renunciou em outubro do ano passado.

Sanchéz, na sua conta na rede social Twitter, afirmou-se “consternado e triste pela morte inesperada da sua companheira [de partido] Carme Chacón”.

Também o atual primeiro-ministro de Espanha, Mariano Rajoy, lamentou a morte de Carme Chacón, à qual se referiu, também na sua conta no Twitter, como “grande política com sentido de Estado”.

Gravidez avançada não a impediu de assumir cargo de ministra

Carme Chacón estava em avançado estado de gravidez quando aceitou o cargo de ministra da Defesa durante o governo de José Rodríguez Zapatero. Além de ser a primeira mulher a assumir a pasta da Defesa no país tornou-se também na primeira ministra a exercer mesmo estando grávida. Uma fotografia que registou o momento em que a então ministra, vestida de pré-mamã, passava revista às tropas correu o mundo.

Carme Chacón

Imagem da ministra a passar revista às tropas, mesmo em avançado estado de gravidez, tornou-se viral. Fotografia de Karamallah Daher/Reuters

Na altura, muitos condenaram este comportamento, considerando-o inusitado. No entanto, nada intimidou a ex-ministra da Defesa espanhola, que argumentou que “uma mulher na chefia da Defesa é prova da integração do Exército na sociedade”.

Após o nascimento do filho, Carme Chacón continuou a “quebrar as regras” e também não usufruiu das 16 semanas de licença de maternidade a que tinha direito, de acordo com a Lei da Igualdade aprovada por Zapatero. Esta atitude foi mal vista por parte de muitas feministas, que consideraram que a espanhola não estava a apoiar os direitos das mulheres.

Ainda assim, do então primeiro-ministro a socialista sempre teve todo o apoio. “Não renuncies ao mais belo que pode suceder a uma pessoa, que é ter filhos”, disse-lhe o líder do PSOE, em 2004, depois de vencer as eleições espanholas.

C.C. com Lusa