Manifestantes pro-Trump atacam mulheres de ‘hijab’

Duas estudantes norte-americanas que usavam o 'hijab' reclamaram terem sido alvo do ódio de defensores de Donald Trump [Fotografia: Shutterstock]

Um dia depois de Donald Trump conquistar a Casa Branca, duas muçulmanas norte-americanas, em locais distintos dos Estados Unidos da América, reclamam terem perdido a liberdade e terem sido violentadas por usarem hijab (véu islâmico).

Na Califórnia, uma estudante muçulmana – que estava a usar o véu islâmico – da Universidade de San Diego garante ter sido roubada por dois homens que faziam apologia a Trump e criticavam os muçulmanos. Uma situação corroborada pelas fontes policiais oficiais, mas também pelo responsável do estabelecimento de ensino. “Condenamos estes atos de ódio e pedimos a todos os membros da nossa comunidade que façam o mesmo”, declarou Elliot Hirshman, presidente daquela instituição de ensino superior. “Os crimes de ódio destroem o espírito do nosso campus universitário e é preciso estarmos juntos com o intuito de rejeitar estas ações”, afirmou, de acordo com a Time.

“Os crimes de ódio destroem o espírito do nosso campus universitário e é preciso estarmos juntos com o intuito de rejeitar estas ações”, afirmou o presidente da Universidade de San Diego, Elliot Hirshman.

Num outro ponto do país, na Universidade do Louisiana, em Lafayette, o jornal Daily Advertiser informa que dois homens brancos agrediram, bateram e roubaram o hijab a uma estudante. Um dos agressores, avançou a polícia, estava a usar um dos chapéus oferecidos pela campanha de Trump, com o slogan ‘Make America Great Again’ (Tornar a América grandiosa de novo).

Incidentes que se multiplicam também nas redes sociais e que ocorreram no mesmo dia em que, por todo o território, sucedem os protestos contra a eleição do magnata para a presidência dos Estados Unidos da América.


As mensagens de ódio, que incluem suásticas grafitadas, já chegaram às escolas e às paredes de parques públicos


Num país que está sob fogo com a chegada do multimilionário ao mais importante cargo da nação, também os negros e os latinos parecem estar a ser presas fáceis para os apoiantes de Trump, e os incidentes multiplicam-se contra estas comunidades.

Em Wellsville, Nova Iorque, foi grafitada, na parede de um parque, uma gigantesca suástica acompanha de uma mensagem de ódio onde se lia ‘Make America White Again ‘ (Tornar a América Branca de novo). Nas escolas do Minesota, em Maple Grove, há já slogans de ódio mas casas de banho como #regressemaÁfrica ou #sóbrancos (em tradução literal). No caso dos latinos, leem-se mensagens como “construam o muro”, na sequência da retórica de Trump e da promessa eleitoral dele de construir uma barreira física no México, paga pelos mexicanos, para impedir a entrada de imigrantes em território norte-americano.

Ao mesmo tempo, os protestos contra a eleição do magnata multiplicam-se pelo país. “Trump não é o meu presidente” é uma das mensagens que mais se tem escutado nos últimos dois dias. Motins violentos que, em Portland, já levaram a danos materiais em lojas.

Este crescendo anti-Trump já fez com que o próprio presidente eleito condenasse, no seu Twitter, na noite de 10 de novembro, estas manifestações.

Trump condena os manifestantes "profissionais" e acusa os órgaãos de comunicação social de os estar a incitar ao protesto [Fotografia: Twitter]
Trump condena os manifestantes “profissionais” e acusa os órgãos de comunicação social de os estar a incitar ao protesto [Fotografia: Twitter]
Donald considerou as contestações “injustas” e afirmou estarem a ser alimentadas pelos meios de comunicação social. “Foi simplesmente uma eleição presidencial aberta e bem-sucedida. Agora, manifestantes profissionais, incitados pelos media, estão a protestar. Muito injusto”, lê-se no Twitter do multimilionário.

Leia o perfil do 45º presidente dos EUA

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